O universo de cada um
São quatro horas da madrugada. A falta de sono me trouxe ao computador. Sonolento, leio e respondo emails, publico textos de colaboradores, acompanho notícias e me preparo para escrever a crônica da madrugada.
Penso nos emails que recebi. Vem a idéia de que cada um de nós é um universo em separado; universo de idéias, de sentimentos, de opiniões, de conflitos. Cada um se considera, e até com razão, o centro do universo maior. Problemas pequenos se agigantam na ausência de problemas reais e maiores. Até que um dia… tudo acaba.
Esses pensamentos aconteceram motivados pelo email que recebi da nossa escritora Lu Dias. Trata-se de um texto que circula pela web há alguns dias e que já foi publicado em vários sites e blogs. Não sei a autoria e nem posso confirmar a publicação original, mas vale a pena ler e refletir. Quem sabe seja a hora de repensar a nossa vida. O passado não pode ser mudado, mas o futuro pode. Depende da nossa vontade. Aqui está:
Carpe Diem!
Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico. Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim.
Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo. Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste.
Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo. Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado.
Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.
Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. No fundo, só existe o hoje.
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PAULO
A vida é um dom de Deus, uma dádiva, um presente.
Desfrutá-la intensamente nos momentos de alegria, de prazer, de felicidade é pura sabedoria.
Hoje amanheceu um dia lindo, com sol radiante, as flores do meu jardim abriram-se, lindas rosas, vermelhas, brancas, amarelas; em torno do arvoredo todo, os pássaros voando e cantando alegres, borboletas multicores graciosas, enfenteitando esse cenário que a visão – de qualquer ser humano – pode contemplar.
A visão que um dom que Deus nos deu – de graça – não é privilégio de ricos e poderosos, mas de todos, principalmente daqueles que sabem como usá-la, para curtir o belo, a extraordinária e encantadora natureza ao nosso entorno.
Logo estarei na companhia de meus filhos e sentirei muito prazer com a sua companhia, reunindo a família, curtindo o amor recíproco que todos temos, na união que consagra a felicidade.
Hoje vejo a vida se amando.
A propósito, a Lu Dias escreveu, ainda neste blog, uma de suas maravilhosas poesias, com o nome Carpe Diem, que vou lembrar a você, enfim a todos.
“CARPE DIEM
(Aproveite o Dia de Hoje)
Todo ídolo é miragem,
fantasia ou alucinação,
de quem não se sente inteiro,
por isso deve ser demolido,
e impiedosamente devolvido,
ao nascedouro da ilusão.
Dentre eles há uma divindade,
que é de todas a mais cruel,
sorve nossas ingênuas crenças,
e nos arrasta para o inferno,
enquanto nos dá a convicção
de nos empurrar para os céus.
Quem mais seria senão ela,
a malfada e torpe esperança,
esse lobo em pele de cordeiro,
que vive a enganar a humanidade,
com seu rouco e enfadonho mantra:
“quem espera…sempre alcança”.
E aquele que cai na lábia,
de que essa madrinha malvada
é uma virtude benéfica,
não custa logo a descobrir,
que não passa de uma desgraça,
assustadora, cruel e tétrica.
Essa senhora pariu três filhas,
três ladinas e tristes figuras:
frustração, ignorância e impotência;
conhecidas como Lúcifer, Satanás e Satã,
que transformam o nosso viver,
num “inominável” poço de agruras.
Ela é pérfida, utópica e decadente,
cartomante de mentiras deslavadas,
que nos enche de fantasias e quimeras,
mas nos tira da vida o real instante,
e nos impede de viver aqui, agora,
esse doce momento presente.
E de tanto esperar o inexorável,
vamos perdendo o sentido,
distanciado-nos do hoje,
único tempo que vale a pena,
ser gostosamente vivido,
morrendo, sem feliz ter sido.
Lu Dias ”
Em meus comentários, escrevi, e repito agora, por oportuno:
‘” LU DIAS
Sua poesia levou-me a recordar Bilac, que lhe deixo como singela homenagem à sensibilidade de sua poesia.
Vale a pena viver cada instante de nossa vida.
““In extremis
Nunca morrer assim! Nunca morrer num dia
Assim! De um sol assim!
Tu, desgrenhada e fria,
Fria! Postos nos meus os teus olhos molhados,
E apertando nos teus os meus dedos gelados…
E um dia assim! De um sol assim! E assim a esfera
Toda azul, no esplendor do fim da primavera!
Asas, tontas de luz, cortando o firmamento!
Ninhos cantando! Em flor a terra toda! O vento
Despencando os rosais, sacudindo o arvoredo…
E, aqui dentro, o silêncio… E este espanto! E este medo!
Nós dois… e, entre nós dois, implacável e forte,
A arredar-me de ti, cada vez mais a morte…
Eu com o frio a crescer no coração, — tão cheio
De ti, até no horror do verdadeiro anseio!
Tu, vendo retorcer-se amarguradamente,
A boca que beijava a tua boca ardente,
A boca que foi tua!
E eu morrendo! E eu morrendo,
Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo
Tão bela palpitar nos teus olhos, querida,
A delícia da vida! A delícia da vida! ””
Vale a pena viver com intensidade e tanto a Lu Dias, como Bilac, mostraram em versos esse apego intenso que todos nós, seres humanos, temos pela vida, principalmente quando a morte nos mostra sua face e nos lembra que somos apenas mortais.
Mas ainda tenho no carpe diem – e porque não o ter ? – a fé e a esperança em Deus, ele que nos deu esse dom maravilhoso que é viver.
Boa tarde.
Bonsoir.
Lu Dias Bh respondeu:
junho 27th, 2009 at 20:21
@GUTIERRITOS,
Gutie
Obrigada por trazer à tona este meu poema.
Sempre pautei a minha vida no “agora”.
Mas num “agora” vivido com responsabilidade, de modo que traz bases sólidas para o futuro, e deixa coerência no passado, quando não for mais presente.
Não retiro uma linha do que disse.
Ou agora ou nunca…
Beijos,
lu
Paulo Afonso
Ontem recebi este e-mail (Carpe Diem) e, por achá-lo muito real, passei-o para todos os meus contatos.
Foi uma enxurrada de respostas.
Dentre essas, uma me chamou a atenção:
“Lu, você nem imagina como este e-mail abriu a minha mente para a vida. Ano passado, fiz esse mesmo roteiro para a França. Ia repeti-lo este ano, mas tive que adiar para o segundo sementes. Então, eu poderia ser um daqueles que desceram para serem sepultados no mar. Obrigado pela mensagem. MMF)
O melhor momento para se viver é o agora, pois:
Ele pode ser o único.
Beijos,
lu
Lindo texto!
O momento da vida mais especial deveria ser daquela lágrima de alegria que raramente rola em nossas faces. E esse momento deveria ser constante e eterno.
Conseguir dar ao hoje apenas o peso necessário e transformar a vida para ser vivida eternamente no presente.
Carpe diem…
Paulo,
O texto é muito bom. Lembra-nos a única coisa certa de nossa vida. A morte.
E como o Zé Roberto falou de saudade e você fala do morrer, minha memória buscou outra música nas profundezas do passado: “ Na Cadência do Samba”, do Ataulfo Alves:
Sei que vou morrer não sei o dia
Levarei saudades da Maria
Sei que vou morrer não sei a hora
Levarei saudades da Aurora
Eu quero morrer numa batucada de bamba
Na cadência bonita do samba
Mas o meu nome ninguém vai jogar na lama
Diz o dito popular
Morre o homem, fica a fama
[... ]
Creio que pra escolher como morrer, se não sei nem dia nem hora, ideal mesmo seria na cadência bonita do samba!
Abraços,
TT