Onde está a diferença entre doenças mentais e físicas? – Gutierritos-SP

Por Gutierritos-SP, 1 de março de 2010 21:30

A abordagem feita, sobre as doenças mentais, carregada muitas vezes de preconceito, é um mal maior do que os danos que elas trazem às suas vítimas. Infelizmente, este é um assunto que, para muitos, ainda é tabu.

Lamentavelmente, esquecemo-nos de que todos nós, de uma forma ou de outra, somos também doentes, pois a doença faz parte da natureza de todo ser vivo. Ninguém dela escapa, um dia ou outro; um sofre com pressão alta, outro com a baixa, fulano tem sinusite, sicrano diabetes e por aí vai.

E vejam que estou falando apenas das doenças mais comuns. Há aquelas gravíssimas, dolorosas, terríveis, insuportáveis, difíceis até de serem citadas.

Pela tradição comum, mencionei apenas doenças físicas. Mas é possível separar as doenças físicas daquelas chamadas doenças mentais? Acredito que não, principalmente hoje, quando a medicina está desenvolvendo uma visão holística em relação  à saúde do ser humano. O que é o estresse?  É um mal mental ou físico ? Como separar nosso cérebro físico do mental?

Levemos em conta uma simples dor de barriga. Seria ela conseqüência de uma surpresa desagradável, que nos deixou nervoso ou foi uma comida mal digerida?

Todos nós temos problemas físicos e mentais, que variam apenas em grau de intensidade. Não há como desligar uma coisa da outra!

Assim, uma boa alimentação, exercícios, vida saudável, dormir as horas necessárias para refazer nossos esforços diários são receitas importantes, que trarão, para a saúde física e mental, uma grande ajuda.

Temos que entender que somos um todo inseparável.

Neste mundo, há problemas, adversidades, dificuldades, competição, desemprego, poluição, alimentos processados, insegurança, violência, enfim uma messe enorme de condições, que torna evidente que iremos ficar doentes mais cedo do que esperamos. Todas as sensações, máxime as agressivas, passam pelos sentidos humanos e irão estimular nosso cérebro. E a resposta pode ser rápida.

Provada, por exemplo, a ligação entre o consumo de drogas e doenças mentais. Elas – as drogas – arrasam o cérebro, aniquilam com os neurônios, impedem as sinapses, interrompem os estímulos, desagregam os pensamentos.

E  afinal, o que é normalidade? Existe alguém normal?

Para início de conversa, normalidade é um conceito humano. Muitas vezes, uma pessoa corajosa e que enfrenta o perigo é julgada por muitos como louca, doida varrida.

Por quê?

Porque a maioria das pessoas não reagiria como ela.

Mas quem seria normal?

Aquele que não reagiu e se acovardou diante do perigo ou aquele que simplesmente o enfrentou?

Assim, não acredito em doença que não sejam físico-mental, ligadas intensamente, dentro da concepção holística, a visão da saúde integral, por inteiro, na sua totalidade, o que realmente somos.

Somos um todo: corpo, alma, coração, emoções, sentimentos, mente, não havendo como os separar.

Já dizia o poeta romano Juvenal, embora sem o significado que se dá hoje em dia, lá na antiguidade, a célebre expressão: mens sana in corpore sano, ou seja, mente sã em corpo são.

Portanto, temos que ter equilíbrio em todas as nossas atividades e buscar bons hábitos, pois os seus efeitos nos alcançarão como um todo.

O preconceito não é “privilégio“, um tratamento dado aos doentes mentais, pois já houve muito dele dirigido aos tuberculosos, máxime porque não tínhamos como os tratar e essa doença era transmitida com muita freqüência. O mesmo aconteceu com leprosos desde a antiguidade – que eram abandonados, longe da população.

Essa concepção é importante para que possamos entender que as doenças mentais como as físicas são males que devem ser tratados com o mesmo olhar, sem preconceito, este que é, quase sempre, a expressão do medo e da ignorância.

É imperativo, afirme-se, concluindo, que tenhamos respeito pelo nosso semelhante, tratando-o como nosso igual, vítima de moléstia, seja ela considerada física ou mental, pois é indispensável conservarmos sua dignidade, para que não o venhamos ferir na sua auto-estima e agredir o seu direito de cidadão.

A final, todo doente é um ser humano, que deve ser amado, alguém que tem uma família, uma alma, um coração.

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10 comentários para “Onde está a diferença entre doenças mentais e físicas? – Gutierritos-SP”

  1. Ana Lucia disse:

    Gutie querido,
    Realmente somos um todo. Quando a cabeça falha o corpo registra. O corpo funciona como sintoma e a mente como causa. Muitas vezes sabemos a causa e fingimos desconhecê-la. Outras nos fogem à razão. E aí o tratamento fica mais difícil.
    Temos que nos exercitar para não discriminarmos os que sofrem de problemas mentais graves e visíveis. Há que se ter muita generosidade no olhar. Bom tema, amigo. Beijo. Ana

    GUTIERRITOS respondeu:

    @Ana Lucia,

    ANA LÚCIA

    Vez ou outra, temos que falar em assuntos mais sérios. E sou contra todos os preconceitos e principalmente este que muitos tem e dificilmente entendem quanto é cruel e horrível esse sentimento.

    Todos temos nossos defeitos, doenças e passagens dificultosas em nossas vidas e todos precisamos de apoio e compreensão. Muita compreensão.

    Abraços.

  2. LuDiasBh disse:

    Gutie

    Parabéns pela excelência de seu texto.

    Também penso exatamente assim: é o todo que adoece e não as partes.

    Para mim, não existe o conceito de normalidade.
    Ele só pode ser visto dentro do próprio indivíduo, ou seja, ele mesmo é quem poderá dizer quando é que se sente melhor.

    O que visto por uns como normalidade, pode não ser visto por outros.
    São questões, muitas vezes, culturais.

    Um exemplo:
    Para o mundo ocidental, a menstruação da mulher é uma coisa vista como normal, far parte do ciclo dos ciclos do corpo.
    Mas no Oriental, muitos países tomam-no como uma época de impureza, quando a mulher não pode ser tocada.

    Sem dúvida, as pessoas doentes necessitam de todo carinho e compreensão.

    Parabéns por essa abordagem tão sensata e humana.

    Abraços,

    lu

    GUTIERRITOS respondeu:

    @LuDiasBh,

    Fizestes, querida amiga, uma síntese muito apropriada para o tema. Todos necessitamos de carinho e compreensão, sejam lá os defeitos, anormalidades e doenças que tenhamos, temos que nos apoiar, uns aos outros, para vencermos as barreiras, principalmente esta – o preconceito – que tanto sofrimento traz ao mundo.

    Abraços.

  3. Cristine disse:

    Ótimo artigo, Gutie!

    Também acredito que somos um todo, e que a saúde é um estado geral de bem estar e bom funcionamento de corpo e mente (e por que não, da alma) causado pelo equilíbrio entre as partes. Um desequilíbrio em algum aspecto da vida pode desencadear preocupações, doenças físicas e também mentais.

    Para isso precisamos cuidar da saúde como um todo; de nada adianta viver preocupado com o que se come ou o que não se pode comer; a mais saudável das saladas vira veneno… da mesma forma, comer enquanto se está nervoso, fazer exercícios mas viver estressado e insatisfeito com o trabalho, passar por uma crise familiar, tudo isso afeta nossa saúde.

    Quanto ao ponto do preconceito com as doenças mentais, você lembrou também os tuberculosos e leprosos; eu acrescentaria um outro grupo que hoje em dia vem sofrendo com o preconceito: os gordos. Nem é preciso ser obeso mórbido para sentir a discriminação neste mundo feito para os magros, sarados, moderrrnos e descolados.

    Infelizmente o ser humano consegue ser bem cruel, não é mesmo? (em tempo: não sou obesa, mas tenho percebido isso por aí, vendo e ouvindo)

    Grande abraço!

    GUTIERRITOS respondeu:

    @Cristine,

    CRISTINE

    Dissestes tudo: equilíbrio.

    Nós temos que ter isto, durante todo nosso viver, buscando cuidar de nosso corpo e da nosso mente, como um todo.

    O ser humano é único, indivisível.

    Daí tudo que acontece ao corpo acaba afetando a mente, Tudo que agredi a mente reflete em nosso corpo.

    Temos que os manter equilibrados.

    E nunca esquecermos que o combate a qualquer tipo de preconceito é um dos caminhos mais apropriados para ajudar a todos neste desiderato.

    Abraços.

  4. Jovimari disse:

    Guti,

    Tenho caso na família de esquizofrenia. E posso dizer que ela é pior do que a “física visível”… Por quê? porque é mais difícil aceitar, mais difícil tratar, mais difícil entender.

    A família toda fica envolvida e sofre… e o que dizer dos menos favorecidos que escondem seus doentes, maltratam ou jogam nas clínicas deprimentes e que servem de começo do fim para estes seres sofridos e desentendidos.

    E olha que há muitos e muitos, e em todas as cidades, com problemas mentais e quase nada se faz para melhorar suas condições de vida. Políticos e áreas de saúde ignoram esses números. Talvez porque não ver é como não sentir?

    Beijo e muito bom seu texto.

    GUTIERRITOS respondeu:

    @Jovimari,

    JOVIMARI

    Quando escrevi, realmente, pensava nisto. Em todo o tema que sintetizaste com muita felicidade e competência.

    Mas a notícia boa é que podemos vencer, podemos não ignorar, e através do amor, transformar aquilo que era um sofrimento em uma alegria, vencendo e vendo quem amamos ter sucesso na vida.

    E foi porisso que escrevi, pois temos que continuar a combater e vencer o preconceito, desde que sempre há esperança, cada vez mais, com as graças de Deus.

    Abraços.

    Jovimari respondeu:

    @GUTIERRITOS, Acredito que amor o é importante, a atenção, a dedicação e principalmente o medicamento. Num primeiro momento, e talvez por toda a vida, o remédio vai suprir o que o cérebro está carente.

    Beijo!

    GUTIERRITOS respondeu:

    @Jovimari,

    Sei da importância do fármaco, mas a base de toda a recuperação é o amor.

    Nele, encontra-se a força para manter nosso equilíbrio e nossa esperança no triunfar sobre qualquer doença, seja física ou mental.

    Sem o amor, a família se destrói, abaixa a cabeça, não se sustenta e se derrota.

    Penso que ambos são importantes, inclusive não se pode perder de vista a terapia com psicólogos, além de alimentação e vida saudável.

    Juntos – todos – embalados pela amor – podemos obter vitórias inacreditáveis.

    E a esperança sempre existirá. Sempre.



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