Li de Bráulio Tavares, que Pablo Neruda descreve num poema, o quanto vibrou quando aprendeu a palavra “orégano”, o poeta saiu a gritá-la pelas ruas freneticamente, e eu fico a imaginar o volume das palavras que se materializam com distintas matizes de som, no cotidiano das leituras.
Quem há de contestar um iconoclasta? Um ornitorrinco é mesmo um animal? Quem sabe andar correndo numa charanga? Seria o quixó uma armadilha? E séctil é aquilo que se pode cortar? Xerém é um prato, um pássaro ou lugar?
Muitas palavras nos soam estranhas, e têm significação distinta em outros sítios, porém para quem escreve um poema, versada ou proseada ela é invulgar.
São pedras finas com que se faz alguns castelos são sopas de letrinhas a soltar…
Enfim,talvez possamos compreender com que grau de novidade Neruda saiu a exclamar por onde ia:
-Orégano,orégano!!!
As palavras têm mesmo um ritmo com certo paladar…
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1 de dezembro de 2008 at 16:40
Amiga
Penso que as palavras têm personalidade, vontade própria. Loucura? Não sei. Só sei que quando escrevo uma poesia elas aparecem, se impõem no texto. Exemplo: Escrevi uma poesia e queria usar a palavra “linda” . Teimava em usar essa palavra Não queria usar bonita porque “bonita” não tem a mesma conotação de linda. Mas, não deu. Tive que usar “bonita” mesmo! A palavra teimou e não deu espaço para sua colega.Loucura de quem pensa ser poeta! Que fazer?
Beijos Sonia Quartin
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1 de dezembro de 2008 at 17:06
Sonia,
A sua poesia me cativa pela palavra bonita e também pelo andamento tão suave como foi o Domingo e outras tantas… Eu gosto muito dessa sua saudável ” luta interna “, pois no fim ganhamos nós, os seus leitores assíduos.
Obrigada pelo comentário precioso de sempre!
Beijos daqui,
Nina.
[Resposta]