Aquelas terras, ai meu Deus, aquelas
terras inclementes,como tições ainda
em brasa, são o inferno em vida,
o martírio de milhões de almas.
Hordas de cavaleiros famélicos
vagando por poeirentas estradas,
cativos ignorantes, filhos deserdados
por ditadores de sua própria pátria.
Corpos disformes, bonecas de pano sujo,
mergulhadas em seus desatinos,vegetais
secos e murchos, soltos na terra árida,
morrem, lentamente, meninas e meninos.
Nas margens débeis dos rios extintos,
a lama ressecada serve de leito, para
abrigar no ventre da cruel mãe-terra
seus inocentes e mutilados corpinhos.
À volta o vento brinca com a poeira,
abrindo e fechando as rubras cortinas
da tragédia, que no palco ganha vida,
enquanto a vida no corpo se amofina.
No ápice estão os senhores da guerra,
disputando o poder de governar o ninho,
como abutres lutam pela carne podre,
que a alma vai repelindo pelo caminho.
A tragédia apenas mostra sua prótase e
epítase nesse palco de horrores medonhos,
sem jamais chegar à catástese, de seu tema
ferino, bárbaro, cruel, bestial e hediondo.
O odor nauseabundo toma conta das vilas,
onde agonizam homens e pequenos anjos
esquecidos por Deus, enquanto o rei-sol,
escaldante, vai se afundando no horizonte.
E bem distante, onde há belas montanhas
e vales, com gente de pele rosada e sorriso
largo, flores de pétalas brancas na estrada,
a terra é luxuriante, rica, cor de verde jade.
Aqui, a indiferença e o desprezo são moedas
vigentes, entre os esquecidos dos povoados,
é gado confinado sem ter o que comer, a não
ser a terra que jaz fervendo a seu lado.
E lá, de onde se contam tantas maravilhas,
há fartura, alegria, água pura corrente, saúde,
mas o coração parece ser um lugar tão distante,
onde a neve do egoísmo quase nunca derrete.
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Querida Lu
Até quando haverá essa desigualdade social no mundo e, em particular no nosso rico e vasto Brasil? Até quando, meu Deus, o homem continuará guardando esse egoismo diante da dor e da miséria?
Beijos Sonia Quartin
Lu,
Extremamente triste esta realidade sofrida encontrada no mundo. Sua poesia chega a doer de tão verdadeira e bem escrita. Há um misto de podridão no ar – miséria, fome, desigualdade, desesperança e esquecimento. Até quando???Um abraço. Ana
Sonia
É difícil compreender tais disparidades, quando a vida de todos nós é efêmera.
Mas alguns insistem em achar que as riquezas materiais funcionam como um meio de deter a morte.
Embora crus, vou continuar botando a boca no trombone através de meus poemas.
São as minhas armas.
É o meu jeito de denunciar tudo aquilo com que não concordo e que me oprime.
Deixarei o louvor à vida para quem ainda está cheio de ternura no coração.
É bom que assim seja, para que não haja louvor de mais e insatisfação de menos.
E assim encontramos o equilíbrio, de modo a viver a vida com júbilo, mas dela cobrar a existência indigna de muitos outros irmãos.
Obrigada pelo carinho.
Beijos,
lu
lu@Sonia Quartin:
@lu dias Bh:
Aninha
Estava comentando com a Sônia que os meus versos são a minha arma de denúncia.
Não dá para ficar imune quando se vê tanta desigualdade no Brasil e no mundo.
Eu não aceito que seja assim.
E por isso vou gritar, enquanto puder trabalhar com as palavras.
Mas gosto de ler os poemas ternos, também, pois me acalmam as dores.
Obrigada pelo carinho de sempre.
Beijos,
lu
Luluzinha
Ao ler o seu poema eu até perdi a fome, pois fiquei com muita tristeza. Suas palavras podem ser cruas mas são verdadeiras. Bom seria se todos lutassem para melhorar o mundo assim como você faz.
Beijocas,
Si
Lu
Eu a admiro por essa sua preocupação com a humanidade carente mas tenho o receio de que você fique tão machucada, quanto mostram seus poemas. Eles são belos mas sofridos. Eu tenho orgulho de você, minha poetisa.
Um beijão do
Moá
Sissi
Fico sempre muito feliz, quando vejo o seu comentário por aqui.
É bom que carrega dentro de si a mesma busca por justiça.
Beijos para a minha lindinha,
lu
@Moacyr:
Moá
Quem carrega uma bandeira não pode se fragilizar.
Tenho que seguir os caminhos do Che Guevara no sentido de brigar por mudanças, mas sem nunca perder a ternura.
E se conto com o seu apoio, mais forte estarei.
Muitos e muitos beijos,
lu
Querida Lu Dias
De vez em quando eu me pergunto.
Como pode haver tantas desigualdades neste mundo, pois não consigo entender como podem os seres humanos verem seus semelhantes em completo estado de degradação, e não fazer nada, fingir que não vê, ignorar. E ai, chego a terrível conclusão.
” Se Deus existe, ele é uma nota de cem “……….
” Não faço parte deste sistema “……………
Abração.
Mário
Mas infelizmente, com Deus ou sem Deus, continua fazendo parte do sistema.
As desigualdades nascem do egoísmo humano, na ânsia de suplantar a morte.
Mesmo assim temos que continuar lutando, para que não tenhamos o mesmo sentimento, dos ricos, de inutilidade.
Grande beijo,
lu
Lu,
Você “sofre por ser responsável,
e experimenta vergonha em face da miséria que não depende de você nem de cada um de nós, em separado e, ama;
e, sendo amar uma responsabilidade aceita, portanto é você, um desses seres amplos que alcançam o destino de recobrir largos espaços…”
Beijos,
Dirley
@Dirley:
Dirley
A miséria pode não depender de mim, mas eu me sinto parte dela.
E se pouco posso fazer, deixo que minhas palavras ganhem vida, de modo que se nada faço pela humanidade, ao menos faço por mim, tornando-me um ser humano de melhor qualidade, ao abrir o meu coração para recebe o outro em sua miséria existencial.
É como muita alegria que recebo a sua visita.
Pena que o café acabou. O Paulo tomou-o todo.
Eu também sou escorpionina.
Sou um paradoxo: doce com um favo de mel e contundente como uma punhal.
hahahahahahahahahhaha
Abraços,
lu
LU DIAS
Você pensou que falando em esquecidos, eu iria esquecer de dar um pulo aqui, para comentar sua bela página poética?
Acha que não vou falar muito porque vou levar outro sermão ?
Por sinal, foi um lindo sermão.
Poderia ter sido um texto a ser publicado, de tão forte, duro, implacável, mas de sublime e exuberante composição.
É lógico que entendo sua contestação ao mundo cruel e desumano que enfrentamos.
E que sua voz está na defesa dos oprimidos.
Nisto somos iguais.
Mas tenho que lhe fazer o contra-ponto.
Então, perdoe-me, mas quero lhe dizer que todo o contraste social, que transforma os iguais em desiguais, parece que vem há muito tempo, mesmo lá nos primórdios da era das cavernas.
E houve quem contestou a antítese riqueza e miséria, justiça e iniqüidade, guerra e paz, ódio e amor.
E disse que todos deveríamos nos amar.
E o pregaram numa cruz.
Mataram-lhe aos olhos de sua mãe, no calvário mais lembrado no mundo.
Lá de cima, morrendo ao meio das dores mais horríveis, pediu ao seu pai que nos perdoasse.
Talvez essa história seja apenas um contar e recontar de fatos, que foram se mudando, para nela se transformar, a história do Deus vivo, do filho de Deus, que trouxe a esperança aos corações humanos.
Para ele, penso, não há esquecidos.
Todos poderemos, se acreditarmos, estar com ele no Paraíso.
Como você cantou em sua poesia:
“E lá, de onde se contam tantas maravilhas,
há fartura, alegria, água pura corrente, saúde ”
Posso mudar-lhe um pouco o final destes lindos versos?
Com ele, o coração vai parecer ser um lugar muito próximo,
onde o fogo do amor derrete nossa desesperança.
É como ele dizia: eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Lu, a esperança existe.
A solidariedade existe.
O amor existe.
Hoje, eu vou apanhar da Lu.
Boa noite.
@GUTIERRITOS:
Gutie
Claro que eu sei que o nosso amor (fraterno, ouviu Dix?) não nasceu num pé de maxixe, mas num carvalho frondoso.
Nem as tempestades conseguem nos fazer vacilar. Há um ingrediente glorioso nesta afeição: respeito de um pelo pensamento do outro, mesmo quando não em conformidade.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Então eu lhe dei um sermão?
Viu como sou má?
Tenho que voltar lá para me lembrar do que disse.
É verdade, Gutie, esse contraste é antigo.
Diz a minha cunhada espírita que é para termos chances de fazer o bem e nos livrarmos de nosso carma.
Digo-lhe que abro mão dessa chance e prefiro pagar o carma em euros….
Eu sei que quando ajudamos alguém, estamos de certa forma tentando minimizar a nossa culpa. O que faz muito mais bem a nós que à pessoa.
Engraçado, eu devo lhe parecer uma pessoa briguenta, mas não o sou. Sou sei brigar com a palavra escrita. Fora disso sou dócil, não chegada a discussão.
Mas quando deixo impressa a palavra, contra algo que não consigo engolir, aí baixa o santo. E no poema que eu me expando. Na prosa gosto mais da sátira.
Gutie, o pior é que não carrego essa sua fé que dá vida e fortalece.
Talvez seja por isso que haja tanta dor em meu coração.
O meu poema de amanhã está mais ameno. Espero.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAA
Senão vou criar o clube dos contestadores e o Paulo coloca todos no olho da rua. Então tenho que modular o tom, vez ou outra.
Beijos para você e a doce Cidinha,
lu (a revoltosa)
Lu,
amiga, por tudo que leio de você.
Desculpe-me, sei e sinto que a miséria e injustiça a desespera.
O que pretendi dedicar para você, precisa dessa correção:
… sendo amar aceitar uma responsabilidade ( amar, emoção que você imprime )…
Dirley.
@Dirley:
Dirley
Eu captei o seu pensamento na sua totalidade.
Estou sentido falta dos seus textos.
Deixe de voar e entre na corrente.
Abraços,
lu
LU DIAS
Vou esperar pelo seu artigo HAHAHAHAHAHAHA até amanhã.
Bem alegre.
Pode ser também romântico, como Lamartine gostava de o apreciar.
Mas, tenho boas notícias.
Daqui alguns dias, talvez uma semana, vou escrever sobre a solidariedade.
Talvez, você posso me compreender melhor.
Como eu lhe disse, eu entendo sua contestação.
Também não concordo com as injustiças.
Obrigado por suas palavras.
E até amanhã.
É isso aí: a interface inexorável de tudo! o preto x o branco / o belo x o feio / o amor x o odio / a alegria x a tristeza / a guerra x a paz . O primitivo impera no homem consciente, e por ser consciente teria obrigação deveria inverter certas relações desta interface.
abç
@messias:
Messias
É uma consciência adormecida pelo valores materiais.
É o inexpugnável da dualidade:
matéria x espírito
poder x submissão
riqueza x pobreza
humanidade x animalidade
Abraços,
lu
Gutie
Vamos dar um jeitinho de diminuir os labores da vida, pois esta é efêmera demais.
Pelo menos o sábado e o domingo tem que ser dedicado a banhos na cachoeira.
AHAHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHA
Estou aqui pensando o que você vai achar do meu poema a seguir.
Grande beijo,
lu