Eu simplesmente escrevo
Soltando palavras ao léu
Como o garotinho, na praça
Esparge bolhas de sabão pelo céu.
Vão se juntando umas às outras
Conforme o vento ou estação
E somente depois de unidas
Consigo dar nome à criação.
Umas são bem campestres
Buscam o cheiro acre da terra
Trepam nas árvores mais altas
Ou partem em busca das serras.
Outras, extremamente urbanas,
Voam em direção aos outdoors
Salpicam as costas dos transeuntes
Visitam arranha-céus em derredor.
As românticas sempre me encantam
Vivem em busca dos enamorados
Caem, no meio de um beijo ardente
Ou de dois pares de braços afogueados.
As populares jamais usam de distinção
Por isso possuem uma beleza de corcel
Tanto despencam no estofado de um BMW
Quanto no carrinho do catador de papel.
Mas existem as mal-humoradas e ácidas
Eu as acolho tal e qual os filhos são
Mal levantam vôo e estouram, de pirraça,
Tão diferentes quanto os dedos da mão.
Outras são vibrantes, fogosas e lampeiras
Cheias de sensualidade e muito calor
Já saem do canudinho acasaladas
Numa inconfundível efusão de amor.
As eruditas são um horror
Julgam-se as princesas da praça
E nada mais no mundo tem valor
A não ser o ego que as abraça.
As iconoclastas chegam em bando
Na mais polvorosa anarquia
Nada no planeta tem dono
Abaixo os ícones de cada dia.
E ao vê-las tão soltas, livres
Da placenta que lhes deu vida
Sinto a mesma leveza da mãe
Que carregou o filho na barriga.
Então eu as perco de vista
Dando-lhes a liberdade sonhada
Se o ato de parir foi somente meu
O de viver pertence às danadas,
Por um tempo me descanso
Até que sobrevém outro cio
E mal completa a gestação
Coloco na vida outro filho.
Apenas me consome
Um doloroso martírio
Que a mente vire um útero
Murcho, ressecado e vazio.
Incapaz de transformar
Em linfa os meus óvulos
Asfixiando minha prole
Em frios e inertes casulos.
Como o triste garoto na praça
Que tenta e torna a tentar,
Com seu canudinho mágico,
Fazer suas bolhinhas voar.
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29 de novembro de 2008 at 9:12
Lu,
Adorei a leveza do poema, sabes dosar e brincar com as palavras, daí a força dos seus poemas em cada tema que abraças.
Abc
Messias
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 9:49
amiga Lu
Como você encontrou tantas espécies de bolhas- palavras para definí-las? E como essas bolhas -palavras nos dão trabalho, não é? Sua poesia é leve como essas bolhas, mas seu útero- cérebro- coração nunca ficará estério isso eu garanto!
Beijos Sonia Quartin
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 9:50
Querida Lu Dias
Para uma artista que brinca com as palavras, uma simples colaboração.
MERAS PALAVRAS.
AMOR, palavra que inspira
A mente dos mais desesperados
A pensar em alguém
Alguém à quem ama e espera
POESIA, palavra que diz
Amor de uma forma indefinida
De um modo indeterminado
Mas que na verdade, sempre morta
Como você ama a pessoa amada
FELICIDADE, algo que poderíamos
Dizer que não se explica, se sente
Mas como tudo na vida, tem explicação
Simplesmente, digo que felicidade
É algo que se sente no coração
ADEUS, a mais triste palavra ouvida
Dos lábios de uma pessoa amada
Nos machuca por fora
E nos mata por dentro.
Abraços.
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 10:32
Lu,
Mestra no jogo das palavras! Você as junta e separa quando quer. Suaviza e fortalece. Bendito seja o seu dom! Beijo. Ana
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 12:37
Lu, é muito gostoso curtir estas lindas e coloridas bolhas que de modo tão simples consegues sorprar prá todos nós. Achei lindo e divertido!
bjos
Aline
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 13:46
@messias:
Messias
Está parecendo um poema de “brincadeiras na praça”.
Como a semana foi muito puxada, tentei aliviar nas palavras, ou seja, brincar com elas.
Beijos,
lu
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 13:50
@Sonia Quartin:
Sônia
Estive numa praça, perto de onde moro e fiquei observando as crianças soltando bolhas de sabão.
Cheguei em casa e num piscar de olhos montei o poema.
Fiquei até com medo de o meu notebook sair pela janela, junto a elas… risos.
Que bom que tenha gostado.
Obrigada pelo carinho.
Beijos,
lu
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 13:54
@Mário Mendonça:
Mário
E quem disse que você não sabe brincar com as palavras, também?
A colaboração está linda e enriquecedora.
Apenas não acho que o sentimento do amor seja eterno.
A gente é que aprende a amar ou a desgostar dela.
A força motriz está em nós.
Basta desligar a chavinha.
Grande beijo, meu amigo querido.
lu dias
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 13:56
@Ana Lucia Timotheo da Costa:
Aninha
Considero as palavras como um jogo de lego.
Tanto levanto castelos, quanto calabouços com elas.
Obrigada pelo carinho.
Beijos,
lu
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 13:57
@aline:
Aline
Espero que muitas destas bolhas cheguem até aí repletas de carinho, para você.
Obrigada pela visita.
Beijos,
lu
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 14:43
Querida Lu Dias
Como o amor não é eterno ???
Acho que o ser humano, só ama uma vez.
” um simples gostar, no meu entendimento, já é suficiente para jamais esquecermos de nossos semelhantes ”
Abraços
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 16:15
@Mário Mendonça:
Mário
O amor não é eterno, mesmo.
Ninguém o define melhor que o Vinicius de Moraes.
O amor é como uma planta que precisa ser regada, adubada, desejada, acariciada e respeitada.
Amar uma só vez???
Você mais que ninguém, sabe que não. Quer que eu lhe prove … risos?
Podemos amar “n” vezes e até mesmo mais de uma pessoa concomitantemente, pois são várias as formas de amar.
A menos que você esteja falando de sexo. Que é um outro assunto.
Quantos amores você já teve em sua vida de solteiro ou…?
Eu já tive muitos!
E hoje não representam nada para mim, porque não os cultivei.
Uma viúva ou divorciada não tem chance de amar, até mais, o novo companheiro e vice versa?
Acredito que a capacidade de amar é nata nos humanos (e animais também).
Ela não morre nunca, sejam lá quais forem os nossos percalços.
Mas amar unzinho…. seria triste demais.
Beijos,
lu
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 16:22
Luluzinha,
este seu poema me deixou de queixo caído. Mas eu sei que tudo que cai em sua mão vira arte. Sou sua maior fã.
Beijinhos e beijocas,
Si
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 16:26
Oi Lu,
Adorei seu poema feito de bolhas com palavras, leve e sensível!
beijos
Thaty
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 16:33
@Thatiana:
Tati
Estava com saudades de você.
Estou lhe mandando umas bolhas com as palavras: amor, carinho e afeto.
Pegue aí.
Beijos,
lu
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 16:35
@Sissi:
Sissi
Obrigada, minha lindinha.
Você é sempre meiga e carinhosa.
Mas… só se esquece de mudar o cabeçalho… risos.
Beijos dobrados
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 16:52
Oi Lu,
Fui apresentada aos seus poemas e contos por acaso… mas me encantei com este. De verdade!
Espero poder viajar um pouco mais por outros como experimentei com esse.
Lembrei de quando soprava bolhas quando criança… e até mesmo agora quando tento (quando adulta, mas nem tanto). As vezes de forma errada, mas sempre tentando.
Muito bom…
Abçs
Lilian Sinfronio
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 17:40
@Lilian Sinfronio:
Lilian Sinfrônio
Que prazer acolhê-la em meu post.
Vou até fazer um cafezinho para tomarmos com pão de queijo… risos.
Este poema está bem moleque, não é mesmo?
Tenho uma boa safra de poemas e causos no blog.
Basta ir no índice, clicar em autores e depois em meu nome.
Vou ficar feliz em saber que tenho uma nova amiguinha lendo os meus poemas de pés quebrados.
Obrigada pela visita.
Volte sempre.
Beijos,
lu
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 17:59
Lu Dias,
Palavras x bolhas de sabão é mais que uma comparação, é uma mistura de poesia, brincadeira com as palavras, pontos de vista sobre os diversos estilos poéticos. Enfim… é isto e muito mais, pois a poesia vai além destas minhas explicações.
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 18:06
@Greice da Costa:
Gracie
Realmente esta poesia é uma brincadeira com as bolhas e as palavras.
Meus poemas são sempre muito carregados de emoção.
Hoje resolvi postar um mais ameno.
Fico feliz com a sua visita.
Obrigada pelo carinho.
Beijos,
lu
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 22:13
Puxa, Lu Dias, foi difícil chegar até aqui.
Você está dando um Ibope que o Paulo está rindo à toa.
Saiu até do sério, catando lindos animais abandonados, criando gatinhos e parecendo até flutuar sobre a sua cachoeira.
Gostei muito quando você disse:
“As românticas sempre me encantam
Vivem em busca dos enamorados
Caem, no meio de um beijo ardente
Ou de dois pares de braços afogueados.”
Essa coisa toda de pensamentos ruins rondeando minha cabeça, caio fora.
Chamo a Cidinha Dix e declamo a ela, e ao vivo, esses seus versos maravilhosos, que repeti aqui no meu comentário ( para não fazer confusão com algum outro que deles saí correndo ).
O resto eu deixo para os outros.
Bonsoir.
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 22:18
Querida Lu
Acho que me expressei errado. Não quis dizer que não podemos voltar a amar, o que tentei passar, é que se o amor foi intenso, ficará marcado para sempre.
Abraços
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 22:28
@GUTIERRITOS:
GUTIE
Você não é a favor da diversidade?
Nunca fui tão democrática num poema.
Escrevi para gregos e troianos.
E lá estava a sua estrofe.
hahahahahahahahahahahahahahahaha
Hoje dei uma de moleca com as minhas bolhinhas de sabão.
Cidinha, aproveite as bolhinhas românticas que caíram entre você e o Gutie.
Acabe com todo o sabão que há na casa.
Beijos aos dois,
lu
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 22:30
@lu dias/bh:
Mário
Agora sim, posso concordar.
Mas, se por acaso houver qualquer tipo de desligamento é porque ele não foi suficientemente intenso, mas apenas utópico.
Beijos,
lu
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 23:34
LU DIAS
Estou retornando.
É que escrevi, lá nos ” Gatos” do Paulo Afonso e acho que exagerei.
Mil perdões.
Apenas, como você sabe, quis brincar um pouco, ao meio de tantos problemas e dissabores do dia a dia.
Se você deixasse eu brincaria até mais.
Tem uma música maravilhosa que aprendi e cuja letra estaria lhe oferecendo.
Mas se você não gostar?
Ah, que dilema terrível !
To be or not to be !
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 23:39
LU DIAS
Errei ao falar sobre o artigo do Paulo.
Foi lá nos mistérios da vida.
Se você der uma espiada, pode.
Até amanhã.
[Resposta]
29 de novembro de 2008 at 23:55
@GUTIERRITOS:
Gutie
Bote a música para rodar.
Ou então peça ao Paulo para postá-la.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHA
Já li o seu comentário falando de sua filha e de pessoas apaixonadas por bicho.
Achei lindo.
Gutie, você é incapaz de maltratar uma mosca… risos.
O Moá diz a mesma coisa, que se um mais um gato entrar aqui no ap. ele sai de casa.
Mas, ano passado ajudou-me a pegar uma gatinha, que estava miando há dois dias no quintal de uma casa abandonada. Era uma filhotinha de angorá.
Viveu conosco quase um ano. E doentinha não resistiu. Choramos os três: Sissi, ele e eu.
Ainda sinto a falta dela.
Veja o meu recado lá.
Beijos,
lu
[Resposta]