— Fala Paulinho… Tô sabendo que seus cachorros passam melhor que você!?!
— Que é isso, Marquinhos. Melhor do que eu, só se eles bebessem cerveja.
— Mas me disseram que todo dia você compra carne pra eles.
— Isso é verdade. Quando tem dinheiro é carne de vaca. Quando tem pouco, é frango. Quanto tô assaltando cofrinho, é fígado de frango.
— Mas tu não acha que é demais? Gastando dinheiro com um bando de cachorros?
— Olha o preconceito, Marquinhos. Por que os cachorros teriam menos direito? Afinal, quem me lambe a cara são eles.
— Não é isso. Tem muita criança passando fome…
— E é por isso que vou deixar meus cachorros passando fome também?
— Bom… deixa pra lá. Mas eles já comem ração. E das melhores. Precisa dar comida?
— De fato não precisava. Mas se voce visse a cara de alegria que eles fazem ao saborear uma alcatra?
— Alcatra? Aí você extrapolou. Assim é demais.
— Não sei por que. A alcatra está custando quase a mesma coisa da carne de segunda. Tendo grana, vai de alcatra.
— Imagino então o que você deve comer: caviar todo dia.
— Tá enganado, Marquinho. Passei uma época no macarrão. Não como carne de vaca. Mas o glúten começou a me fazer mal, aparecendo umas pipocas pelo corpo. Aí resolvi mudar.
— E agora, vai de quê?
— Estou no cardápio que pedi a Deus. Sardinha e cerveja. Todos os dias. Com 2 reais almoço muito bem. O que sobra, vai de cerveja.
— É… acho que vou almoçar com você.
— Quando quiser. Leva a cerveja que eu preparo as sardinhas!
(qualquer semelhança com fatos reais, não é mera coincidência)
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31 de agosto de 2008 at 14:43
Paulo
Tenho três gatinhos: Jade Maria, Deco José e Prince Antônio.
Enroscavam-se em mim, todas às vezes em que eu me sentia impotente diante do problema que vivi e me jogava na cama.
Lambiam-me os pés, fitavam-me com aqueles olhinhos penetrantes e condoídos, apenas me observando.
E ao lhes tocar o pelo, eu me sentia revigorada. Levantava-me e partia para a luta.
Quando colocava a chave na porta, ao chegar, eles já me aguardavam do outro lado.
Compartilhavam comigo a minha dor, embora nada pudessem dizer.
Quando certas pessoas passarão a compreender que os animais merecem respeito e amor?
Recebi muito mais atenção dos meus bichinhos do que de muitas pessoas que mal deram falta de mim, nos espaços onde sempre frequentei.
Compreendi que era apenas um número, a mais ou a menos.
E que vivam os nossos animaizinhos!
Abraços!
[Resposta]
31 de agosto de 2008 at 15:03
Paulo,
poucas são as “almas” boas deste mundo. Você se inclui no grupo. Apesar do tom humorístico da crônica, quem te conhece sabe que você, deixaria de comer carne de primeira se com isso você não conseguisse dividir com tua matilha. Compraria carne de segunda e repartiria em partes iguais.
O teu risoto já é lendário. (quantas pessoas serviriam um arroz incrementado com frango para um animal?) tua bondade rodou o mundo. Tua atenção com os animais é inequívoca. Mas teus dotes de escritor ainda não conhecia. Parabens pela crônica. Apesar de ter sentido uma sensação de Deja-vu ao lê-la. Continue na empreitada. Com textos teus ou de colaboradores, o site está 10.
Abraços
amigo.
[Resposta]
31 de agosto de 2008 at 15:47
@Dan: Dan, obrigado pela visita. Recebi a sua crônica e vou publicar logo em seguida. Quanto ao Deja-vu, mandei o link para o João Ubaldo, que várias vezes contou casos semelhantes acontecidos num boteco do Leblon.
[Resposta]
31 de agosto de 2008 at 15:50
@lu dias Bh: A setinha serve para identificar a que comentário eu estou respondendo. Acho que é a única finalidade.
Quanto aos animais, dizem que foram criados exatamente para isso. Eles absorvem nossas tristezas e as descarregam nos vegetais. O ciclo seria esse. Faz sentido.
[Resposta]