Poesias declamadas (21) José Nélson Dante (Tu, Moça; Eu, Quase Velho – Vicente de Carvalho)

Por José Nélson Dante, 31 de janeiro de 2010 21:11

TU, MOÇA; EU, QUASE VELHO

Vicente de Carvalho

Tu, moça; eu quase velho… Entre nós dois, que horror,
Vinte anos de distância. Entre nós dois, mais nada.
E hoje, pensando em ti, pus-me a sonhar de amor
Somente porque vi por acaso, na estrada,
Sobre um muro em ruína uma roseira em flor…

Versos da poesia Mimi

Publicado em Poemas e Canções


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3 comentários para “Poesias declamadas (21) José Nélson Dante (Tu, Moça; Eu, Quase Velho – Vicente de Carvalho)”

  1. LuDiasBh disse:

    É incrível como poder econômico do sujeito encobre qualquer distância social.
    Recebi um e-mail mostrando a mulher de José Arruda (DF), o marido da Luciana Gemenez e a mulher de um chefão da Record.

    Mas, quando o sujeito é pobre, essa distância fica bem acentuada.

    Belos versos!

    lu

    GUTIE respondeu:

    @LuDiasBh,

    LuDiasBh

    Agora, não erro mais.

    Esses versos, denominado Tu, moça; eu quase velho faz parte de uma poesia, chamada Mimi, publicada na obra de Vicente de Carvalho, Poema e Canções, que abaixo transcrevo:

    Mimi

    Vais-te, a sorrir… Que mais queres?
    Fico, a lembrar… Que mais posso?
    Levas tudo que era nosso:
    Tua mocidade em flor…

    Pois que te vais tão contente
    E me deixas tão sem nada,
    Feliz de ti, minha amada!
    Coitado do nosso amor!

    Mas tu que partes sorrindo
    Talvez algum dia, quando
    Voltares, voltes chorando
    Tua mocidade em flor…

    Que encontrarás, quando voltes?
    Talvez pouco… Talvez nada…
    Pobre de ti, minha amada!
    Coitado do nosso amor!

    Tu, moça; eu, quase velho… Entre nós dois, que horror,
    Vinte anos de distância. Entre nós dois, mais nada.
    E hoje, pensando em ti, pus-me a sonhar de amor
    Somente porque vi por acaso, na estrada,
    Sobre um muro em ruína uma roseira em flor…

    Tu dizes que é loucura este amor… Bem o creio.
    Como loucura me sorriu, como loucura
    Veio cantando, veio
    Reduzir-me a um olhar que, num perpétuo anseio,
    Te vê, ou te procura.

    É loucura este amor? Foi-o desde começo,
    Desde que te amo. Tu, dizendo-m´o, bem pouco
    Me adiantas, confesso:
    Há muito tempo – há quanto! – eu sinto e reconheço
    Que te amo como louco.

    Mas… Nem eu imagino o amor de outra maneira.
    Desde o caso de Adão e Eva no Paraíso,
    O amor, minha faceira,
    Toda a vida se fez notar pela cegueira
    - Nunca pelo juízo.

    Esta, querida amiga, a poesia de onde foram tirados alguns versos, que tanta luz possuem que podem se constituir um extraordinário tema para reflexão.

    E meu amigo Dante, mais uma vez, foi magistral.

    Obrigado por tua leitura e audição.

  2. josé nelson dante disse:

    Gutie, saudações. Parabéns pela sua erudição no tocante à poesia de Vicente de Carvalho, que só agora sei que foi extraida de Mimi. Aliás singular ao extremo pela beleza dos versos; mas fico com a parte que declamo que considero o ponto alto de seu pensamento. Até breve com mais poesias e agradeço imensamente a todos pela consideração à minha pessoa, principalmente ao amigo pela chance de exibir o que tem de belo no imaginário de bons poemas declamados.



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