Quem quer dinheiro? – Augusto Vilaça

Por Augusto Vilaça, 4 de janeiro de 2010 13:53

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Infelizmente não deu! Não foi dessa vez que eu virei milionário com o maior prêmio da história da Mega-Sena: 120 milhões de reais. Era tanto dinheiro que eu não tinha ideia do que fazer com ele caso eu fosse o ganhador e, antes que perguntem, é lógico que, mesmo estando do outro lado do mundo, eu dei meu jeito e fiz minha fezinha, ou vocês acham que eu ia perder uma chance dessas?

Como todos vocês, eu pensava em viajar o Mundo, comprar uma mansão ou talvez um castelo, pois me recordo de um que foi vendido este ano, por um certo político e que, de acordo com o valor declarado, estava num precinho até em conta. Fora isso, é lógico que compraria alguns carros de luxo e mais tudo aquilo que me desse na telha, entretanto, em cálculos rápidos e aproximados, penso que ainda sobraria um bom bocado de dinheiro.

Ah… cento e vinte milhões! É o equivalente a tantos meses do meu salário que eu me perdi no meio das contas, uma grana altíssima. Ao menos pra mim, né? Que o mais perto que consegui chegar de uma quantia dessas foi quando marquei no bilhete as seis dezenas que eu achava que seriam as premiadas.

Por incrível que pareça, valores como esses, que para nós, pobres e assalariados mortais, não passam de um conto de fadas, fazem parte do cotidiano de muita gente, aliás, de muito mais gente do que nós sequer imaginamos. Só para termos uma ideia, o ex-futuro-ex piloto de F1 Michael Schumacker, tava lá na Ferrari, sem ter muito o que fazer, foi contratado pela Mercedes Benz, vai levar, por uma única temporada, a bagatela equivalente a 57 milhoões de reais (quase a metade do prêmio que eu esperava ter ganho na Mega-Sena, e que já estava mais do que satisfatório para mim), e olhe que, nesse valor, não estão incluídos os contratos acessórios com patrocinadores, publicidade e propagandas.

O caso é que vivemos em uma realidade bem diferente e uma fortuna como a que estavam anunciando para o sorteio de fim de ano, com toda a certeza, frequenta os sonhos de muitos brasileiros, afinal nem todos nós somos pilotos de Fórmula 1 ou, em empregos mais convencionais, temos direito a: 14º e 15º salários, verbas de gabinete, auxílio-paletó, auxílio-moradia, auxílio-refeição, verbas para viagens, diárias, horas extras, rateio das sobras do orçamento previsto (que, incompreensivelmente, sempre é programado com um valor ainda maior para o ano seguinte, não importando o quanto conseguiram “economizar”)… é tanto dinheiro que eu até entendo que não deva mesmo caber todo dentro de uma carteira comum e alguns precisem guardar o restante nas cuecas e meias.

Eu ainda sou da geração em que, quando queríamos falar de um valor inimaginável, sem precisar pensar muito, dizíamos: “Um milhão!”. Hoje já vemos que isso nem é mais tanto dinheiro assim. Não faz muito tempo e tivemos notícia de alguém que conseguiu distribuir 700 mil num piscar de olhos, se bem que, boa parte do dinheiro, foi destinada à compra de panetones, gasto completamente justificado em plena época natalina.

Já diz o ditado: “o rio só corre para o mar”; no caso do dinheiro eu posso garantir, por experiência própria, que é verdade e, ao que me parece, as minhas finanças estão muito mais para rio do que para mar.

Mas o ano está apenas começando, não é momento para pessimismos nem para perdermos a esperança (ainda), toda quarta e sábado tem sorteio da Sena e, se essa não for a sua chance de entrar, licitamente, no seleto grupo de pessoas que tanto invejamos (pode confessar!), ainda há outra oportunidade, já que, por volta de outubro, abrirão vagas para os mais sonhados empregos públicos do país, onde você poderá ter direito a todas aquelas vantagens que nós já conhecemos. Só peço uma coisa: quando chegar o final do ano e você for comprar seus panetones para distribuição, que o meu seja daqueles de chocolate, eu não sou fã de frutas cristalizadas, e, se possível, não esqueça de comprar uma garrafa de vinho espumante para acompanhar.

Do Timor, com carinho,

Gus,

01/01/2010

Augusto Vilaça tem 33 anos e é brasileiro de nascimento, pernambucano de registro, sertanejo de coração, policial por vocação, honesto por convicção, cozinheiro por enxerimento e escritor por falta do que fazer. Querem mais?

Todas as segundas com uma novidade no Blog Notícias de Muito Longe: http://aavs1976.wordpress.com

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4 comentários para “Quem quer dinheiro? – Augusto Vilaça”

  1. Edgard Santos disse:

    Amigo Augusto,

    É realmene tanta grana que daria pra fazer a felicidade nossa e de muita gente, até aonde o dinheiro puder fazer a felicidade. Como vão as coisa aí no Timor? Grande abraço,

    Edgard Santos

    Augusto Vilaça respondeu:

    @Edgard Santos, Por mais que seja difícil de acreditar, o Falcão (aquele que das músicas engraçadas) lançou um disco com o título: “O diheiro não é tudo, mas é 100%”.

    Uma dinheirama dessas mexe com as imaginações de todos, mesmo a daqueles que se dizem tão desapegados ao vil metal. É complicado, um dos grandes paradoxos da vida.

    Mas, enfim, tenho conseguido viver com o que dá e procuro sempre uma forma de me sentir feliz, e creio que essa é a melhor receita.

    O Timor continua sua caminhada no caminho do crescimento, nossa função é a de colaborar no que for possível. Creio que estou fazendo a minha parte.

    Obrigado pelo comentário.

    Do Timor, com carinho,

    Augusto Vilaça.

  2. GUTIE disse:

    GUS

    Excelente texto.

    Agora, já levantastes?

    Acho que sim, pois aí já são sete horas da manhã.

    Ainda não entrastes em férias, então já deves estar tomando seu café, com pão e manteiga. Deve ser uma delícia.

    Até pensei que podia ser café com panetone.

    Aí teria achado um pouco estranho: panetones terem chegado daqui de Brasília até a missão aí no Timor Leste.

    A verdade, caro amigo, é que temos tudo que queremos, principalmente muita saúde, paz e felicidade e sentir que somos honestos e íntegros.

    E este é o maior prêmio que Deus nos pode dar.

    O dinheiro é bom, mas não é tudo ( palavras que conformam ).

    Ah, tá bom, eu também sonhei com esta montanha de dinheiro ( foi 144 milhões e não 120 ).

    Acho que dava para indireitar a vida.

    E dar muitos panetones ( hahahahahahahah )

    Feliz ano novo – que todos os dias deste 2010 seja de intensa alegria e felicidade. E que se divirta em suas férias.

    Já expliquei que não teremos oportunidade para bater um papo, pois estarei viajando pelo mundo ( pelo menos em sonhos ).

    Abraços

    Augusto Vilaça respondeu:

    @GUTIE, Pois é, tenho amigos chiques que podem sair por aí, batendo perna ao redor do mundo.

    Bom, a verdade é que, quando eu escrevi a crônica (e já sabia que não ia ganhar o prêmio, ehehehe), ainda se anunciava 120 milhões… Mas eu, sendo bem sincero, já me contentaria com os vinte…

    O panetone pode até chegar aqui, mas creio que só no próximo Natal (afinal, este ano temos eleições e panetones e outras doações não irão faltar…)

    Concordo com você quando diz que somos tão felizes quanto queremos ser, por outro lado desconcordo quando diz que o dinheiro não é tudo. Falcão já dizia que o dinheiro não é tudo, mas é 100%.

    Boa viagem para você e a Cidinha Mix. Se passarem pela Suíça e quiserem me trazer uns chocolates, eu agradeço.

    Obrigado pelo comentário.

    Do Timor, com carinho,

    Augusto Vilaça.

    

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