Resiliência – Hila Flávia

Por Hila Flávia, 2 de julho de 2009 7:53

Esta palavra me entrou pelos olhos adentro e me deixou incomodada. O que seria resiliência? Não a conhecia. Então, fui ao Aurélio e li a definição. A partir deste momento, o conceito começou a me rondar, alguns artigos me chamaram a atenção e cada vez mais me interessei pelo assunto. Quando ia me preparando para escrever sobre o que havia descoberto, leio na revista Família Cristã de número 882 um artigo do Padre Léo Passini, que é camiliano, doutor em Bioética e professor do Núcleo de Estudos e Pesquisas de Bioética do centro Universitário São Camilo, em São Paulo, que era exatamente o que tencionava escrever. Vou transcrevê-lo tal como foi publicado, pois um primor de texto:

“O termo resiliência provém do verbo, em latim, resilire, que significa saltar para trás, ou voltar ao estado normal. Historicamente, este conceito foi utilizado pela Física e pela Engenharia. Um dos pioneiros de tal utilização foi o cientista inglês Thomas Young, em 1807. Buscando a relação entre tensão e compressão de barras metálicas, ele usou o termo para dar noção de flexibilidade, elasticidade e ajuste ás tensões.

O nosso Dicionário Aurélio define resiliência como a “propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora dessa deformação elástica”. O adjetivo resiliente se aplicaria, então, a tudo aquilo “que apresenta uma resistência aos choques.”

O conceito resiliência foi além das fronteiras da Física e passou a ser utilizada também nas áreas da Educação, Sociologia, Psicologia, medicina e até na Gestão organizacional. Para a medicina, a resiliência é conceituada como a capacidade de o organismo humano recuperar-se de algum acidente ou trauma. Um doente resiliente é aquele que tem condições de compreender, superar, administrar e criar um novo sentido de vida, diante de uma dura experiência de sofrimento. Para a Psicologia, o conceito define um conjunto de processos sociais e intrapsíquicos que possibilitam às pessoas manifestarem o máximo de inteligência, saúde e competência em contextos complexos e adversos, sob pressão. Tanto na Medicina quanto na Psicologia, os estudos de resiliência focam o desenvolvimento de recursos saudáveis e inteligentes de que a pessoa dispõe, e não nas psicopatologias.
O ser humano possui recursos inacreditáveis, os quais é preciso descobrir, cuidar e potencializar. Busca-se uma compreensão do segredo de como determinadas pessoas enfrentam e superam experiências adversas ou mudanças traumáticas de vida que poderiam simplesmente destruí-las, mas que, pelo contrário, fazem com que elas saiam dessas situações transformadas e mais fortalecidas que antes!

Somos resilientes quando capazes de ir além da capacidade de superar. Temos duas dimensões: de um lado, a resistência à destruição, a capacidade de proteger a integridade física e pessoal sob fortes pressões; e, de outro, a capacidade de construir, criar uma vida digna, não obstante enfrentemos contextos e circunstâncias adversas (perdas de entes queridos, enfermidades incuráveis, acidentes, etc.).

As pessoas resilientes são feridas pela vida sim, e quem não o é? No entanto, desenvolvem uma profunda sensibilidade em relação a tudo que as cerca. Transformam-se em radares de alta sensibilidade. Além disso, possuem recursos interiores necessários para produzir o indispensável bálsamo que ameniza as dores e os sofrimentos, mas que também cura e cicatriza as feridas. Essas cicatrizes serão a prova concreta, o sinal indelével, de sua luta incansável e esforço de superação, de saber que é possível continuar a viver dignamente, apesar de tudo! Enfim, de dar a volta por cima e testemunhar com alegria a vitória.

Nesse cenário, somos responsáveis por amenizar solidariamente o sofrimento do outro e tornar o mundo um lugar melhor para todos. Não podemos deixar que o canto e o encanto pela vida, dom maravilhoso de deus, se torne um desencanto de morte! A vida nos foi dada para grandes coisas, mas também temos a responsabilidade de torná-la sempre mais bela, saudável e feliz! Precisamos ser artífices e artistas desse projeto!”

Minha dúvida agora é saber se a resiliência pode ser aprendida, pode ser conquistada, pois, com certeza, é uma meta extraordinária para o crescimento pessoal. Extraordinária e essencial.

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25 comentários para “Resiliência – Hila Flávia”

  1. Haydée Colussi disse:

    Hila Flévia,
    Adoraria que fosse possível aprender a ser resiliente. Por certo a vida seria muito mais fácil de se viver.
    Bjs
    Deia

    Hila Flávia respondeu:

    Gostartia que alguém do blog, entendido do assunto, escrevesse sobre a aprendizagem da resiliência. E as possibilidades de alcançar tal sabedoria de vida. Fica a palavra com nossos pesquisadores extraordinários. É um pedido.

  2. Jovimari disse:

    Hila,

    Muito interessante e me fez relembrar deste termo, que li há muito tempo e fui procurar o significado.

    Eu sou resiliente sim, (né Lu?) e acredito que temos sim, obrigação de ser feliz e dar o devido peso quando o fardo nos requer mais força, nunca mais do que o necessário e nunca supervalorizar a tristeza nem a dor.

    Beijo!

    Hila Flávia respondeu:

    É bom a gente perceber isto. Bom demais.

  3. Sonia Quartin disse:

    Querida Hila
    Confesso nunca ter ouvido falar dessa palavra e seu significado. Mas descobri que sou resiliente, sim! Quem me conhece sabe bem! Mas aprender a ser um, isso não sei dizer. Acredito que a força interior não se aprende de imediato. Ela é construida com a personalidade.
    Belo texto! Beijos sonia Quartin

    Hila Flávia respondeu:

    Pois é, Sônia, esta é minha dúvida. Ontem me encontrei com uma amiga, psicóloga de mão cheia e ela me falou que pode muito bem ser aprendida, a resiliência. Então, quem sabe um de nós pode nos ensinar a ser cada vez mais resistente e feliz, não é?

  4. Cristine disse:

    Gostei do texto, Hila!

    Acredito que podemos sim aprender a ser resilientes, mas como tudo na vida é necessário algum esforço e disciplina, além de *querer aprender*.

    Por outro lado, alguns tipos de personalidade podem ter mais dificuldade, pois são aqueles que sempre veem o copo meio vazio, ou então apegam-se a velhos modos de agir e pensar, e resistem a toda e qualquer mudança.

    Mas nada é impossível. Não dá para evitar o sofrimento enquanto vivemos num mundo de matéria, sujeito à dor e à destruição. Mas dá para aprender a dar a volta por cima, como você bem o disse. Como sempre digo às minhas filhas, “não podemos controlar as circunstâncias, mas podemos controlar o modo como reagimos a elas”.

    Grande abraço!

    Hila Flávia respondeu:

    È de uma grande sabedoria seu pensamento. Controlar as circunstâncias não está no nosso poder, mas nossas reações sim. Vou me lembrar sempre disto. Abração.

  5. Lu Dias BH disse:

    Hila

    Minha querida Rapunzel
    Somente agora encontro o seu texto.
    Não o havia visto.
    Mil desculpas.

    Você é uma bruxinha.
    Sempre dando nós em nossos pensamentos.
    Levando-nos à reflexão.

    Ao ler o título, pensei que se tratasse de “resistência”/ “pirraça”
    E pensei:
    - Eu sou!

    No desenrolar do mesmo, mudei de ideia.

    Mas, volto à primeira conclusão:
    Ser resiliente é ter resistência para não aceitar a vida como ela nos chega, mas transformá-la, de modo que seja cada vez melhor.

    E, para isso, é preciso muita pirraça.
    Logo,
    EU SOU RESILIENTE!

    Beijos, bruxinha,

    lu

    Hila Flávia respondeu:

    Algo vai vencer, não é? Que sejamos nós e a vida!

  6. GUTIERRITOS disse:

    HILA

    Já lhe disse que você é extraordinária, pois cada dia se transforma e tem a capacidade de voltar lá atrás, como foi ou deve ter sido, mas cada vez mais melhorada.

    Sei lá se isto é resiliência, mas sempre a vejo nos presenteando com sentimentos e pensamentos positivos, lindos e maravilhosos.

    Parabéns pelo seu texto.

    Ele é todo um pensamento lindo mesmo: uma resiliência certamente.

    Hila Flávia respondeu:

    Cabeça foi feita para poensar, não é amigo? O que acaba comigo é esta curiosidade de saber uma coisa que ainda não sabia. Dá uma coceira nos miolos que nem usando pente fino para resolver. Sabe que até já rí, imaginando os neurônios se indagando uns aos outros se algum deles tem alguma informação para me dar? Trem doido, sô!

  7. Ana Lucia Timotheo da Costa disse:

    Hila querida,
    Há que se fazer um exercício diário para ser resiliente. Na base, como alicerce, a Fé. Aquela que move montanhas e nos faz crescer através da dor – dificílima. Fé de superação!
    Vou enviar este seu texto ao meu filho. Sei que ele vai gostar muito. Quem sabe me dará alguma pista? Grande beijo. Ana

    Hila Flávia respondeu:

    Vou aguardar ansiosa o retorno do seu filhote. Certamento vem coisa boa! Obrigada.

  8. Terezinha disse:

    Hila,

    Também quero saber mais sobre resiliência. Até comecei a ler um livro sobre o tema. Fiquei meio sem tempo, emprestrei-o a não sei mais quem e não terminei a leitura.
    Veja algumas dicas que são dadas no site: http://www.artigos.com/artigos/sociais/administracao/recursos-humanos/resiliencia-1443/artigo/
    Todos nós podemos nos tornar resiliêntes. Seguem algumas dicas:
    • Mentalizar seu projeto de vida, mesmo que não possa ser colocado em prática imediatamente. Sonhar com seu projeto é confortante e reduz a ansiedade
    • Aprender e adotar métodos práticos de relaxamento e meditação
    • Praticar esporte para aumentar o ânimo e a disposição. Os exercícios aumentam endorfinas e testosterona que, conseqüentemente, proporcionam sensação de bem-estar
    • Procurar manter o lar em harmonia, pois este é o “ponto de apoio para recuperar-se”
    • Aproveitar parte do tempo para ampliar os conhecimentos, pois isso aumenta a autoconfiança
    • Transformar-se em um otimista incurável, visualizando sempre um futuro bom
    • Assumir riscos (ter coragem)
    • Tornar-se um “sobrevivente” repleto de recursos no mercado profissional
    • Apurar o senso de humor (desarmar os pessimistas)
    • Separar bem quem você é e o que faz
    • Usar a criatividade para quebrar a rotina
    • Examinar e sobre a sua relação com o dinheiro
    • Permitir-se sentir dor, recuar e, às vezes, enfraquecer para em seguida retornar ao estado original .
    A resiliência consiste no equilíbrio entre a tensão e a habilidade de lutar, de atingir outro nível de consciência, que nos traz uma mudança de comportamento e a capacidade de lidar com os obstáculos da vida e do profissional.
    autor: Leonardo Soares Grapeia

    Hila Flávia respondeu:

    Amiga querida, que resposta preciosa. Vou entrar no site indicado e aproveitar tudo. Que dicas maravilhosas. Muito obrigada, de coração.

  9. Fernando Genú disse:

    Oi, Hila, muito prazer, sou Fernando, filho da “mãe poeta”, Ana Lúcia. Achei muito interessante o termo para uma aproximação ao ser humano. Expressa um dinamismo que leva o ser humano a permanecer sendo quem é e, assim, a defender-se de tudo aquilo que o ameace da possibilidade não só de viver, existir, mas de ser “ele mesmo” (resistência à destruição); e, por outro lado, um dinamismo que o leva a construir uma existência autêntica, no encontro com os demais, na realização de si mesmo no amor (capacidade de construir). Costumo chamar esses dinamismos como “permanência e desdobramento”. Acredito que a resiliência, entendida como capacidade de superação, deva estar fundamentada na consciência de que os seres humanos nascemos para alcançar a realização desses dinamismos: viver de acordo a quem somos numa existência marcada pelo amor. Seremos capazes de superar-nos à medida que tomemos em sério esse projeto. Sem dúvida é difícil, sem dúvida é tarefa para homens de verdade, mas: quem está chamado a ser homem de mentira? Como você mesma menciona, são intermináveis os recursos dos quais dispõe o homem para “superar-se”. Acho que um primeiro passo é ser capaz de reconhecê-los e um segundo é o maravilhar-se, assombrar-se com eles. Deve-se ter a capacidade de matizar a realidade (nem tudo é escuro, nem tudo é “cor de rosa”) e ser humilde para aceitar a realidade (aceitar-se também) e mudar o que se possa mudar… Sei que isso não é tudo e que a vida é mais complexa que isso, mas os grandes edifícios começam a ser construídos desde uma base bem posta, sólida, profunda… temos aí um bom começo: que o homem se aceite como uma maravilha ao mesmo tempo que um projeto… Temos pensar que isso é possível, tomar uma decisão na vida e ser coerentes com os próprios ideais, pois -como dizia Gabriel Marcel- “o que não vive como pensa, termina pensando como vive”.
    A resiliência fica mais interessante ainda quando o homem -chamado a ser artífice do próprio destino- descobre que não está sozinho na lida do dia a dia, senão que recebe todas as forças (graças) necessárias para o seu permanecer e desdobrar-se, daquele que é o Artífice dos Artífices. Entender que a luta pela própria felicidade é uma obra conjunta do homem com Deus deve ser sem dúvida capaz de iluminar de maneira gradual, pouco a pouco, as sombras (sofrimentos, desilusões, perdas, etc…) que parecem ocultar e impedir o desabrochar da própria vida… poucas palavras que buscam expressar a minha gratidão pela sua profundidade e coragem de “apostar” pelo homem. Acredito que temos TODA UMA VIDA para aprender a ser resilientes… conquistá-la é conquistar-se.

    Jovimari respondeu:

    @Fernando Genú, Então você é o filho da Ana
    Lucia, a mãe poeta e apaixonada por este filho tão distante? Muito bacana suas palavras, e devemos sempre acreditar que é possível ser feliz, que a vida é um presente e temos obrigação da busca constante de aprender, construir e refazer constantemente. Beijo!

    Paulo Afonso respondeu:

    @Fernando Genú,

    Agora não é convite. É intimação. Precisamos dos seus textos, do seu conhecimento. O blog está aberto para você. Escreva sempre que desejar, sobre o assunto que preferir.

    Estamos aguardando,

    Paulo Afonso

    Hila Flávia respondeu:

    Fernando, li seu texto algumas vezes pois chorava ao ler e tinha que começar de novo. Sabe o que senti? Que a PALAVRA estava em suas palavras e que você tinha se tornado um instrumento de paz, de esperança, de lucidez, de alegria, de luz, de amor. Enfim, você cumpre exatamente a missão que escolheu cumprir, que é ser evangelizador. Como estou satisfeita de ter lido esta palavra resiliência assim de repente e ela ter chamado minha atenção. Olhe o que aconteceu! Olhe quanta coisa boa aconteceu! Eu tenho mesmo muito a agradecer a Nosso Pai por ter colocado na minha trajetória de vida tanta gente que está fazendo diferença nela. Em primeiro lugar minha amiga Terezinha Pereira, confreira da Academia de Letras de Pará de Minas, que enviou um texto meu para o Paulo Afonso. Depois, ao Paulo Afonso, que o publicou e me convidou a entrar no Alma. A partir daí, não só aceitei o convite como tenho vivido momentos extraordinários: bons, engraçados, elucidativos, emocionantes, fraternais, intrigantes, instigantes, afetuosos, carinhos e agora, um momento maravilhoso de fé e esperança. Fazer parte de um grupo tão especial é uma bênção. E conhecer tantas criaturas do bem é bênção ainda maior. O amor que sua mãe tem por você é plenamente justificável. Ainda bem que ela repate você conosco, que doravante passaremos a nos considerar suas vice-mães. Não tem vice-presidente, vice-reitor, vice-isto e vice-aquilo? Por que então não podemos ser vice-mães? Paulo Afonso tem razão, você está intimado a ficar conosco. Se demorar a escrever de novo, vamos nos queixar para Ana Lúcia. Receba um abraço muio agradecido e muito e muito afetuoso. Seu texto está impresso e andará comigo para ser lido a toda hora.

  10. Edgard Santos disse:

    “Não podemos deixar que o canto e o encanto pela vida, dom maravilhoso de Deus, se torne um desencanto de morte! A vida nos foi dada para grandes coisas, mas também temos a responsabilidade de torná-la sempre mais bela, saudável e feliz! Precisamos ser artífices e artistas desse projeto!”

    Hila,

    Você disse muito em poucas palavras. Deus é o pai da vida. Se somos filhos de Deus, só podemos esperar d’Ele o melhor.

    Não entendo como certas pessoas confundem religiosidade com fraqueza, medo da morte ou seja lá o que pensam. Não há ser com maior capacidade de luta, mais corajoso e temerário do que o verdadeiramente religioso.

    Quando falo religioso não me refiro a ter, necesariamente, uma religião, ser sectário ou cheio de dogmas, mas possuir fé num poder maior que nos guia e proteje.

    O termo resilente mostra isso: viver, superando os reveses da vida e crsecer com isso. O fraco, o que não crê em Deus, esse sim, está largado e pode ficar lá em baixo. Mas, mesmo deste Deus não tira o olho. Beijos,

    Esdgard Santos

    Hila Flávia respondeu:

    É verdade, Edgard, sert cristão não é tarefa fácil não. Quanto mais procuro a verdade e quanto mais estudo, mais sou exigida. Eu sinto isto. É a questão dos talentos. Se tanto me tem sido dado, mais torna terei de dar. É uma responsabilidade grande que não me assusta e nem me demove de nada. Fico cada vez mais com vontade de servir e de colocar minha vida nas mãos de Meu Pai. Ele me guia, me empara, me ilumina e me ama. O que fazer senão retribuir, embora tão pouco eu seja capaz de dar?

  11. Sissi disse:

    Minha mamadi continua mais linda ainda,com seus cachinhos,o biquinho e o zoião.

    BEIJOS!

    SISI

  12. Sissi disse:

    Ops! post errado, desculpe-me.

    Sissi.

  13. Ana Lucia Timotheo da Costa disse:

    Hila querida,
    Fiquei até comovida! Grata pelo seu carinho de vice-mãe. Claro que me orgulho em dividir o Fernando com vocês todos. Será sempre alegria em dobro. Beijo. Ana

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