Ritual do Athavansa e o parto – Lu Dias

Por LuDiasBH, 28 de abril de 2009 15:04

Segundo o dicionário Aurélio, ritual significa um “Conjunto de práticas consagradas pelo uso e/ou por normas, e que se deve observar de forma invariável em ocasiões determinadas”.

Tenho a impressão de que nenhum povo é tão rico em rituais, quanto o indiano, principalmente os seguidores do hinduísmo (hindus).

A henna (mehandi) é o elemento principal em quase todos os rituais hindus.

E, para quem não a conhece, trata-se de uma pequena árvore tropical, cujas flores perfumadas e brancas, são usadas em cerimônias religiosas no Oriente, e de cuja casca e folhas secas é preparada uma tintura castanho-avermelhada, usada simples ou adicionada a outros agentes corantes. É também usada para tingir cabelos, ou em xampus e outros cosméticos, sendo muito apreciada no Ocidente.

Esse produto está muito presente na vida da mulher hindu, nos momentos mais significativos de sua vida, desde o nascimento, casamento e gravidez, assim como nos cuidados com o corpo e os cabelos.

Antes do casamento, a noiva é rodeada por amigas e pela ala feminina da família, recebendo maravilhosos desenhos no corpo, cuja confecção pode durar dias. É a chamada cerimônia do Mehandi Rat.

Enquanto a cerimônia acontece, a noiva vai recebendo conselhos que lhe ensinam a ser uma boa esposa. Tudo voltado para agradar o futuro marido, pois ela está deixando de ser uma moça solteira e se transformando numa mulher adulta, ou seja, numa esposa dedicada e servil a seu homem.

É comum, ao mudar para a casa do marido, a esposa só fazer serviços domésticos, quando os desenhos de henna desaparecem, tempo que lhe é dado para se familiarizar com a nova casa e seus membros. Quando o marido morre, a viúva só poderá usar tal ornamento, se decidir ser cremada junto com ele. Caso contrário, nunca mais poderá voltar a usá-lo.

Durante e após a gravidez, a henna é muito usada pela mulher, pois a tradição reza que os seus desenhos evitam o mau-olhado e detém os maus espíritos, livrando a mulher de sintomas comuns, ligados à espera e nascimento da criança (depressão pós-parto, etc), assim como fortalece e protege o bebê, após o nascimento, contra os maus espíritos.

Athavans que inclui também o ritual chamado de God-Bharaia (ou Godh Bharna, que celebra a primeira gravidez), é a cerimônia que é feita no oitavo mês de gestação (algumas pesquisas dizem que é no sétimo).

A família, primeiro, faz um belo desenho no chão da entrada da casa com farinhas e areia coloridas

A grávida é lambuzada com óleos e essências e banhada em água perfumada, vestida com roupas e ornamentos novos e decorada com belíssimos desenhos de henna nos pés e nas mãos. Ela é colocada em um acento especial e suas amigas e parentas femininas, cobrem o seu ventre com doces, flores e frutas. Depois há uma grande festa. A grávida permanece em descanso, só podendo voltar aos afazeres, depois que a tatuagem for apagada, normalmente.

146_247-sab-maya

O parto é outro ritual à parte.

A parturiente antes de entrar na sala de parto, é pintada com vários símbolos de proteção. E, após o nascimento do bebê, tem as pontas dos pés e mãos pintados com henna, numa cerimônia chamada de Jalva Pujani.

Após os nove dias que precedem o parto, a mulher é mantida isolada com seu bebê, sob os cuidados de parentas mulheres, com o intuito de que o isolamento ajude na sua recuperação e lhe dê força física e equilíbrio emocional, durante o estabelecimento dos laços maternos e da lactação.

Mãe e bebê deixam seu refúgio no décimo dia após o parto.

Ocasião em que participam da cerimônia Suray, onde a criança é mostrada ao sol e à comunidade, pela primeira vez.

photo06

O Namakarana Samskar é o ritual do batismo, realizado 12 dias após o nascimento da criança. O pai pronuncia o nome dessa, em seu ouvido direito. Em algumas regiões, é permitido à mãe acompanhar o ritual.

As palavras “Hari Sri Ganapataye Namah Avignamastu” são escritas, com um pedaço de ouro, na língua do bebê (simbolicamente, penso eu), assim que ele completa 3 ou 5 anos.

Cabe à criança escrevê-las (guiada por outrem, com certeza), com seu dedo indicador, passando por grãos de arroz cru colocados em um pote de metal. Esse ritual celebra a apresentação da criança à escrita. Geralmente realiza-se nos templos dedicados a Saraswati, divindade da sabedoria e do conhecimento

“A henna é considerada um agente purificador para as impurezas provindas do processo do parto, e suas propriedades anti-sépticas naturais podem ter relação com este costume, uma vez que em regiões desérticas mais carentes do Rajastão, onde água limpa é um artigo raro, a henna era usada na purificação do bebê e da mãe.”

Fonte de pesquisa: Textos de Rosana Araújo (rosanaraujo.arteblog.com.br)
(Referência: Catherine Cartwright-Jones ”The Functions of Childbirth and Postpartum Henna Traditions”)

 

Bookmark e Compartilhe

Veja também...

Imprimir Imprimir        

Enviar a um amigo





Enviar a um amigo         8.400 views


    


43 comentários para “Ritual do Athavansa e o parto – Lu Dias”

  1. Moacyr Praxedes disse:

    Ótimo, se superando cada vez mais.

    Beijos,

    Moacyr.

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Moacyr Praxedes,

    Moá

    Brigadão!
    Você é muito gentil!
    Abraços!

    lu

  2. Sandra Bose disse:

    Perdão pelo atraso no comentário mas hj faltou luz 3 vezes aqui e fiquei ainda mais irritada que o normal pois os 3 quilos de peixe dos meus gatinhos estragaram e agora não tenho o que lhes dar para comer ate amanha. Não eh fácil morar no c* do mundo (entenda-se Índia).
    Quanto a sua postagem vamos por partes (como diria um bom esquartejador).
    O desenho no chão, se for colorido, chama-se RANGOLI e se for somente branco chama-se ALPANA.
    A Índia NAO eh um pais espiritualizado e sim um pais RITUALISTICO. Falo tanto isso no Indiagestão mas as pessoas parecem não terem ouvidos para ouvir e nem olhos para ler.
    Existem 16 rituais envolvendo a vida das crianças desde antes do nascimento ate os 3 anos de idade.
    Antigamente a cerimonia do nome (Naamkaran) ocorria somente após o 6 meses do nascimento devido a alta taxa de mortalidade infantil. Exemplo disto temos no filme THE NAMESAKE.
    Para nos aqui na Índia a henna eh conhecida como Menhdi, veja:
    http://indiagestao.blogspot.com/2007/08/mehendi-parte-2.html
    http://indiagestao.blogspot.com/2007/08/mehendi-parte-1.html
    http://indiagestao.blogspot.com/2007/08/mehendi.html
    http://indiagestao.blogspot.com/2008/07/mehendi.html
    Sandra

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Sandra Bose,

    Sandra Bose

    Não há o que perdoá-la pois a senhora mora do outro lado do mundo… risos
    A qualquer hora que chegar aqui, chega bem.
    A Índia é o país dos rituais.
    Tenho impressão de que as castas ricas nada fazem a não ser participar dos rituais.
    Isso que é vida boa.
    Muito boa a sua informação sobre o desenho de entrada.
    Depois nos conte como é a sua vida aí na Índia e se participa de muitos rituais.

    Agradeço os links que agregou ao texto.
    Você está sempre a nos enriquecer.
    Peço a todos que os vejam, pois terão o parecer de quem mora naquelas terras, há muitos anos.

    Você é uma pessoa excepcional.
    Muito generosa.
    É um prazer tê-la como leitora e correspondente sobre tais assuntos.

    Beijos,

    lu

    “O desenho no chão, se for colorido, chama-se RANGOLI e se for somente branco chama-se ALPANA.”

    Cristine respondeu:

    @Lu Dias Bh, a Sandra resumiu tudo nessa frase: “A Índia NAO eh um pais espiritualizado e sim um pais RITUALISTICO.”

    Para mim, ritual sem sentimento é apenas um gesto vazio, e infelizmente a maioria das religiões é assim. São os “sepulcros caiados” de que falou Jesus, preocupados com a aparência externa mas sem nada no coração.

    Ainda assim, continuo gostando da Índia e tenho a esperança que um país que abrigou tantas almas santas volte ao bom caminho; como veem, sou ums otimista incurável…

    Beijos!

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Cristine,

    Cris

    A esperança é a última que morre.
    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
    Envie para mim um pouquinho desse seu chazinho de otimismo.

    Beijos,

    lu

  3. Cristine disse:

    Belo artigo, Lu!

    Um contraste com o de ontem, mas bom para lembrar que a Índia também tem seu lado bonito.

    Cá entre nós, entre usar novamente as tatuagens de henna e ser cremada com o falecido e não usá-las nunca mais, imagina o que eu escolheria… (rsrs)

    Beijos!

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Cristine,

    Cris

    Também não contive o riso ao chegar nessa parte.
    Parece piada.
    Muitas viúvas ainda escolhem o primeiro.
    Assim serão vistas como deusas, sei lá.

    Estava comentando com a Sandra acima, que as classes ricas não trabalham, pois só vivem para participar dos milhares de rituais.

    Enquanto isso os intocáveis (dalits) limpam m.

    E assim caminha a humanidade.

    Obrigada pela visita!

    Beijos,

    lu

  4. Hila Flávia disse:

    Também penso como a Cristine. nada de henna nunca mais. Belo texto. Bjs

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Hila Flávia,

    Hila

    Imagine, trocar a vida por uns rebocados de henna.
    E o pior é que há viúvas que o fazem.

    Beijos,

    lu

  5. GUTIERRITOS disse:

    LU DIAS

    Tenho trabalhado demais.

    Estou mais quebrado do que o bazar do Said.

    Estou mais quebrado do que cavalo de padeiro.

    Fiz um esforço danado para chegar até aqui e logo a vejo com os seus assuntos preferidos: a India e os partos e os bebês.

    A Índia todo mundo sabe de cor e salteado que você, ao lado do Magela, é craque.

    Agora, sobre parto, o seu trabalho como voluntária, ajudando as mulheres carentes, é um pouco ainda pouco divulgado aqui neste blog.

    Pessoal, segundo fiquei sabendo na trajetória de seus escritos e dos comentários de bloguistas amigos, a Lu Dias ajuda em partos, uma prática solidária extraordinariamente bonita.

    Agora, parece, uniu todos os temas prediletos.

    Gestante, parto e o bebê, ligando-os à henna.

    Na verdade, com henna ou sem henna, a mulher é quem traz ao mundo a vida e a ela devemos a nossa própria, por isso devemos respeitá-la, antes de tudo, reverenciá-la e acima de tudo, sendo nosso esposa, amá-la eternamente.

    Parabéns, mais uma vez, pelo seu artigo, sempre muito bem colocado.

    Aí que dor nas costas, é minha coluna reclamando.

    Agora, a Cidinha acabou de falar: puxa, você vive reclamando desta dorzinha, imagine uma mulher dando à luz.

    Aí fiquei quieto e curtindo minha dor, quietinho, pois senão vem mais bordoadas.

    Tchau.

    .

    Bonsoir.

    Lu Dias Bh respondeu:

    @GUTIERRITOS,

    Gutie

    Quando disse que estava com dor nas costas, pensei…
    Esse sintoma é próprio das grávidas.
    A Cidinha tem toda razão.
    Você me parece muito mimado, danadinho.

    Obrigada pela sua participação carinhosa.

    Grande beijo,

    lu

    Cristine respondeu:

    @GUTIERRITOS, agradeço por nos contar as “artes”da Lu, então a moça é talentosa e generosa também em outras áreas! Parabéns, Lu, pelo belo trabalho com as mamães carentes, você é que é divina!

    Beijos!

  6. Sissi disse:

    Mamadi
    Achei muito interessante este texto, pois mostra a vida boa que as mulheres ricas tem. Elas não fazem nada a não ser festejar. Como essa gente dança.

    Beijocas da

    Si

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Sissi,

    Si

    Realmente essa é a impressão que acabam por nos passar, com tantos rituais.
    O serviço fica todo para as castas baixas e dalits.
    Os burros de carga são os que movem as rodas do país.
    E muita gente ainda chama isso de espiritualidade.

    Beijos,

    mamadi

  7. Kátia disse:

    Ola Lu, fabulosos texto. Li o comentario da Sandra, ela resumiu bem India nao é um pais espirtualizado e sim ritualistico. Eu pessoalmente não sei pq tanto ritual se na conduta diaria, a coisa deixa mto a desejar. Enfim, sao ‘mundos’ e culturas diferentes nao é?
    Bjinhos

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Kátia,

    Katia
    Estou muito feliz com a participação da Sandra, da Cris e a sua presença querida.
    São pessoas que, como eu, procuram ver essa espiritualidade que foi dada à ìndi Índia, com os olhos da razão.

    Veja, que o assassinato de um bebê pode ser justificado em nome da casta. Do poder que a família pode perder dentro dela.
    Não conheço materialismo maior do que isso.
    Portanto, essa história de cultura milenar e espiritualidade, vejo apenas como lorotas para boi dormir.

    Para mim só pode existir cultura onde a preocupação com o humano esteja presente em tudo.
    Fora disso é pura balela.

    Beijos,

    lu

    Kátia respondeu:

    @Lu Dias Bh,
    Bravo Lu!!!!!
    Vc resumiu em poucas frases o q eu tb penso ser espiritualidade, eu ontem vi a novela e devo confessar que fez-me mto mal, foi a cena onde Bahuan briga com raj, e o capitulo onde mostra Raj todo solicito com a Maya. Eu nao suporto mentira, e ela esconder dele q esta gravida mexeu comigo, pois bem …eu sei, eu sei…é so novela, mas nao acho nada bom ver este tipo de coisa. Pareço uma velhota a falar dos costumes morais e boa conduta, mas acho que este tipo de exemplo nao é saudavel, tb nao acho q esconder embaixo do tapete a podridao da humanidade seja a solução para nao se criar mais ‘criaturinhas’ mentirosas pelo mundo a fora; mas ha tanta coisa boa para se mostrar, pq sera q a tendendica atual é so mostrar mentirsa, falsidades, materialismo, etc? Vai ver eu sou mesmo uma sonhadora. Bjinhos

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Kátia,

    Kátia

    Há um rol de mentiras.
    Umas vão se formando sobre as outras.
    O que me incomoda é quando foge totalmente da realidade.

    Como o Raj, dormindo com a esposa não foi capaz de perceber o tamanho de sua barriga e o bebê mexendo, quando o pai dela descobre o fato num simples toque?

    Como ela consegue manter uma mentira por tanto tempo, usando métodos tão ingênuos?

    Como o amor do Raj pela Duda pode ter evaporado com tanta rapidez, aponto de ele sequer se preocupar com ela e já estar apaixonado pela Maya?

    Como o pai do Raj pode assumir a responsabilidade da paternidade da moça, quando a espiritualidade deve sobrepujar a mentira?

    Como a psicopata Ivone pode manobrar de tal modo o amante?

    Como a Sílvia, uma mulher culta e inteligente, pode se mostrar tão idiota?

    Tudo bem que novela não é realismo, mas virar conto da carochinha é desprezar nossa massa cinzenta.

    Você, com certeza, aí em Portugal, ainda está na metade do que já vimos.
    Ficará estarrecida com o desenrolar da trama.
    Prepare-se!

    Beijos,

    lu

    Kátia respondeu:

    @Lu Dias Bh,
    Lu ja estou quase tendo um troço aqui, o pai do Raj vai assumir a apternidade de quem pelo amor de Deus? Mas tb penso exactamente como vc falou, kd o amor do Raj pela Duda? Como é a Silvia é tao burrinha? Como´´e que o marido dela é pior ainda q nao percebe a manipulaçao da Ivone? Bem, enfim ‘A favorita’ tb seguia o esquema dos absurdos dos absurdos, acho que o povo gosta disto.
    Que pena né?
    Bjinhos grandes e continue a nos brindar com estes fabulosos textos.

  8. Lu Dias Bh disse:

    Paulo Afonso

    Peço consertar o título do texto, por favor.
    Devo ter me enganado ao escrever.

    RITUAL DO ATHAVANSA.

    Esqueci-md eo T.

    Obrigada,

    lu

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Lu Dias Bh,

    Paulo Afonso

    Obrigada!

    Desculpe-me o transtorno.

    lu

  9. Lu Dias Bh disse:

    Kátia

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    Não imagino em que parte a novela esteja aí.
    Mas, muita água vai rolar.
    A Duda descobre que está grávida e vai à Índia exigir que o Raj reconheça a paternidade.
    Ela vai na loja do pai do moço e tem uma conversa com ele.
    Esse, para não permitir que o Raj saiba, assume a criança.
    A Duda não quer, mas ao ver a fita do casamento do Raj com a Maya, resolve voltar para o Brasil e aceitar as ofertas do pai do ex-amado.
    Também não mais aguento o choro da Duda e as suas caras e bocas.

    Vixe Maria!

    Beijos,

    lu

    Cristine respondeu:

    @Lu Dias Bh, Não acompanho a novela, mas se quiser saber o que está acontecendo é só dar uma passadinha aqui (rsrs)…

    Beijos!

  10. Paulo Afonso disse:

    Lu, Que tal começar a contar a novela para o pessoal lá da Globo Internacional? Vai dar IBOPE. ;-)

    Mário Mendonça respondeu:

    @Paulo Afonso,

    Paulo e Lu

    Que tal requererem Royalits, da platinada ???

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Mário Mendonça,

    Mário

    Nomeio você meu procurador, junto à platinada.
    Depois rachamos ao meio.

    Beijos,

    lu

  11. Mário Mendonça disse:

    Lu

    Estranho como o hinduismo muitas vezes, demonstra estar anos luz atrás do cristianismo.

    Será que lá existem céticos, “convenientes” ???

    Toda vez que leio um texto sobre os hindus, tenho a impressão de estar em séculos passados, e não em pleno 21.

    Realmente ” é o ópio do povo “.

    Abraços

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Mário Mendonça,

    Mário
    lá existem espertos, mas espertos mesmos e muitos panacas.
    Não há nada melhor que transformar um povo em escravo, do que através da crença.
    O hinduísmo é a forma mais esperta de separatismo… com o nome de espiritualidade.
    Are Baba!

    Beijos,

    lu

  12. Mário Mendonça disse:

    Lu

    celebrar a palavra
    todos os dias
    armar o dia
    de todas as palavras
    abrir os olhos
    para todos os sentidos
    celebrar o amanhecer
    de cada sonho
    com todas as palavras.

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Mário Mendonça,

    Mário

    Que bonito.
    E quão profundo são estes versos.
    Amei!

    Beijos,

    lu

  13. Hila Flávia disse:

    Novela é assim mesmo. Um montoado de mentiras que vai crescendo até formar uma formidável bola de neve descendo morro abaixo e passando por cima de tudo.A gente fica perguntando: por que fulano não viu isso? por que sicrano não viu aquilo? por que a psicopata engana todo mundo numa facilidade louca? Mas sabem de uma coisa? Na vida real também é assim. Muitas coisas acontecem no nariz da gente e não vemos. Somos enganados e ludibriados e não percebemos. Juras de amor são ditas e desditas a toda hora. Milhões de pessoas acreditam nas outras com toda fé e não deviam fazê-lo. Vou lhes contar um caso meu: Considero-me atenta. Melhor, antenada. Que nem o Juvenal Antena da novela. Quando o pessoal vem com o milho, geralmente meu angu está na mesa.Mas sabem que numa manhã de sábado, tempos atrás, recebi o telefonema de uma mãe contando que o neto havia nascido de madrugada. A mãe da criança era nossa telefonista, eu havia conversado com ela às 18 horas da sexta feira e nunca, jamais, sequer notei que estava grávida. Ninguém no serviço notou. E o garoto nasceu forte que só vendo. Um meninão. Depois desta, descobri que a gente vê o que quer ver. Ou nota depois que suspeita, depois que é avisado, sei lá. Deixando correr solto, somos enganáveis a não mais poder. Estando de fora é fácil ver. No bolo, somos parte da farinha e misturamos tudo. Sobre a Índia, por exemplo, há quantos séculos nos passou a ideia de uma terra espiritualizada, cheia de gurus, monges, himalaias, templos, pensamentos nobres e positivos diante da vida, despojamentos, desapego material, procura da essência do ser, aceitação da condição humana, busca do crescimento espiritual, procura da serenidade! Hoje, que sabemos um pouco, muito pouco em relação do que ainda se pode saber, tenho que fazer que nem minha avó Aurora: colocar a mão na cintura e resmungar: QUÁ!

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Hila Flávia,

    Hila

    Você disse a mais pura verdade.
    Minha mãe já dizia:
    - Tudo que acontece em novela, acontece na vida.

    Só vemos aquilo que queremos ver.
    Por isso ficamos surpresos com muitas coisas que nos acontecem.
    Na verdade elas já vinham acontecendo, mas nós fizemos ouvidos de mercador ou fechamos os nossos olhos.

    Eu me considero uma bobalhona.
    Não consigo viver com um pé atrás e outro na frente.
    Sou quase 100% em tudo que faço.
    E quase 100% são também as lambadas que recebo.

    E parece que nunca aprendo.
    E o barco vai correndo.

    Já aconteceu um caso semelhante com uma colega de trabalho:
    Ela começou a passar mal e foi hospitalizada.
    Problema renal.
    Ao voltar para casa, uma outra colega e eu fomos visitá-la.
    Ficamos um bom tempo com ela, que dizia já estar passando bem.
    Dias depois, ficamos sabendo que a pedra no rim direito que ela tivera, não passava de uma linda garota, que nasceu prematuramente, de tanto ela apertar a barriga.

    A colega visitante e eu, ficamos muito tempo rindo uma da outra.
    Duas panacas, que se julgavam muito sabichonas.

    Você acertou:
    A vida é uma novela.
    Tal e qual!
    Sem tirar e nem por!
    Are Baba!

    Beijos,

    lu

  14. Terezinha disse:

    Quá!
    Não é de hoje que fico imaginando. A vida é ficção ou ficção é a vida. Ou há momentos em que ficção e vida são inseparáveis. Quá.

    TT

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Terezinha,

    TT

    QUAQUAQUÁ!
    E nós somos marionetes.
    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    Beijos,

    lu

  15. Cara Lu,
    A India é um país ritualizado, achei muito boa esta colocação.
    Só que estes rituais complicados e demorados só são usados pelas familias das castas ricas e pelas mulheres evidentemente. Os milhões de miseráveis que vivem no país não têm tempo nem dinheiro para tantas cerimônias. Já imaginou um ritual deste numa daquelas imensas favelas? Ou em plena rua, como é hábito de muitos pobres morarem?
    Não assisto a novela mas percebo que a Globo só mostra aquela realidade “exótica e pernóstica” para atrair a atenção e divertir as pessoas sem maiores compromissos com a realidade.
    Abrs. do GERALDO MAGELA

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Geraldo Magela,

    Geraldo

    Não sei onde li, que as mulheres das castas ricas possuem tanto tempo sobrando, que por isso tiveram que inventar os rituais.
    Já viu como elas possuem servos?
    Are Baba!

    Estou imaginando o ritual do casamento numa favela.
    O povo festejando durante uma semana.
    Que loucura!

    Obrigada pela visita.
    Já pode nos falar de sua viagem à China.

    Abraços,

    lu

  16. Paulo Afonso disse:

    Mas como tem gente má nessa novela! Tenho raiva de um monte de gente, coisa rara em novela, quando há, geralmente, apenas um vilão. Começa pela Ivone, a pior. Tem a mãe da Maya, a mãe do Tarso, a mãe do Opasha, a mãe do Zeca (tudo mãe…).

  17. Terezinha disse:

    O rito, o mito.
    Estão mais prá encenação do que para ação.
    Tt

    Lu Dias Bh respondeu:

    @Terezinha,

    TT

    Você está que filosofa.
    Rito = encenação = faz de conta = MENTIRA.

    Beijos,

    lu

  18. Lu Dias Bh disse:

    Paulo Afonso

    Veja com a maldade está sempre aliada ao poder monetário e social:
    1- A mãe de Maya tem medo de deixar de fazer parte da casta rica.

    2- A mãe do Tarso tem medo de perder o status de que goza, é uma desmiolada fútil.

    3- A mãe do Opasha sente-se como a manda-chuva do poder, dona do bem e do mal, mas que no fundo vinga-se do que não pode viver.

    4- A mãe do Zeca é uma típica perua, que quer tirar proveito de tudo.

    5- A louca de verdade ali, doente mental mesmo e digna de pena é a Ivone.

    Mas você se esqueceu de levantar o leque dos homens maus.

    Agora a Sílvia é uma chatonilda de tirar o chapéu, porque é burrrraaaaaaaaaa.

    lu

  19. luzete disse:

    tá se despedindo da série?
    foi uma bela viagem. de graça. parabéns Lú.
    um beijo da dindinha.

  20. Lu Dias Bh disse:

    Dindinha

    Não estou não.
    Os assuntos multiplicam como a pobreza dos intocáveis.
    Vamos ter muito mais.
    Estou com um monte de livros sobre o assunto.
    Obrigada pela visita e pelo carinho.
    Minha doce Luz(este).

    Beijos,

    lu

Índice

Panorama Theme by Themocracy