Sangue novo na imprensa – João Ubaldo Ribeiro
Sou do tempo em que se falava na “imprensa escrita, falada e televisionada” e, para ser sincero, implico com a palavra “mídia”, embora saiba que não adianta. Mas é que essa palavra entrou em meu vocabulário através do inglês, onde ela ainda é como em latim: singular “medium”, plural “media”. Entre nós, ganhou um i acentuado e virou coletivo. Não tenho nenhum argumento realmente defensável contra esse fato, é a velha rabugice mesmo, acho que com a idade ela vai piorando. Mas deve haver algum dispositivo no Estatuto do Idoso que me dê direito a isto, de forma que apenas aviso que, quando escrevo sobre imprensa, penso na escrita, na falada e na televisionada.
A semana que passou trouxe novidades para a imprensa. Não me refiro à extinção da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista, até porque acho que nada vai mudar muito. A imprensa certamente procurará contratar profissionais de áreas diversas da comunicação para atender a algumas necessidades, notadamente de jornalismo analítico e especializado, mas deverá continuar a dar preferência genérica a profissionais formalmente habilitados, e um diploma de jornalista ainda pesará no currículo.
Grande novidade mesmo foi o anúncio de que o presidente terá uma coluna nos jornais. Ainda não sei direito como é que vai ser, mas, mas fico maravilhado mais uma vez. Aqui acontece de tudo, até mesmo um jornalista militante que, segundo ele mesmo, nunca leu um jornal e sabe apenas que é um papel dobrado, que solta tinta e estaria melhor embrulhando peixe ou reciclado como papel higênico. Eu ia mencionando também a necessidade de saber escrever, mas me lembrei de um ou dois coleguinhas no passado e manda a honestidade reconhecer que, em certos casos, saber escrever não tem a menor importância. Além disso, os presidentes costumam contar com auxiliares que escrevem para eles, é uma prática universal.
Está certo, mas fico pensando como, se a notícia sobre a coluna for verdadeira, estamos mais uma vez conseguindo feitos sem precedentes. Leremos nos jornais a coluna de alguém que não sabe redigir e que nunca lerá o que escreveram por ele. Que é que é para fazer – fingir que é ele quem escreve e que ele sabe do que se trata? Deve ser. Por outro lado, considerando a inescapável função crítica da boa imprensa, ele vai criticar quem? Assim como a imprensa costuma vigiar e criticar os governantes, talvez ele critique os governados, quem sabe. Talvez a coluna pegue um nome como “Pito à Nação”, ou coisa assim. Creio que estamos até precisando, embora talvez não do teor que ele pensa.
Como daqui a pouco não haverá mais países para ele visitar e assim evitar trabalhar onde devia, imagino que apenas a coluna e o programa de rádio que ele já tem não serão suficientes para distraí-lo. Claro, resta a televisão e não há por que rejeitar a ideia de um Domingão do Lulão apresentado por ele, com quadros como “Topa Tudo por um Cargo”, “Você Leva e Eu não Vejo”, “Se Faça sem Força”, “A Maracutaia da Semana” e outros, em que serão sorteadas bolsas, cestas básicas, sinecuras na Petrobras e similares.
O novo colega, também se comenta muito, virá junto com um pretendido enfraquecimento da imprensa, através principalmente da manipulação da distribuição de notícias e respostas a perguntas de repórteres ou noticiaristas. De novo, não sei bem o que se pretende, mas, já que a imprensa é responsável por tudo o que de mau acontece, da ladroagem geral ao tratamento imoral da coisa pública, cala-se a imprensa e os problemas nacionais acabam.
Bem, isso tudo seria engraçado e poderia gerar piadinhas infinitamente, mas o fato é que não é engraçado e não se pode tratar o cerceamento da liberdade de imprensa com leviandade. Hoje, num país em crise ética e moral sem precedentes, onde a sensação que se tem, diante do aluvião avassalador de escândalos e ladroagem impunes, é que isto aqui virou um carnaval ensandecido de larápios, vigaristas e aproveitadores por tudo quanto é canto, a imprensa, com todos os seus defeitos, permanece o único “poder” realmente democrático, em contraste com a situação a que chegaram os poderes oficialmente constituídos. Ao contrário deles, a imprensa está sujeita à permanente fiscalização e ao julgamento, frequentemente severo, de seu público. Deve – e presta – satisfação a seus leitores, ouvintes e espectadores. Não pode se lixar para a opinião de seu público e, se um órgão de imprensa trai seu público, a sanção, em forma de queda talvez fatal na circulação ou credibilidade, é pesada e inevitável, novamente ao contrário do que ocorre na esfera oficial.
E esse tiro, que talvez pareça fácil, mas não é, pode sair pela culatra, mesmo que de início bem-sucedido. Vai ver, os interessados acham que a imprensa é parecida com eles. Não é. O que vai acontecer com a imprensa, se privada das fontes oficiais, é que ela irá buscar a informação onde quer que esta puder ser obtida. Multiplicar-se-ão, inevitavelmente, vazamentos de informação, e as consequências, para quem queria estancar as denúncias, poderão ser opostas, ou seja uma chuva de escândalos ainda mais estonteante.
O problema, naturalmente, não é nem nunca foi a imprensa, nem existe o tal denuncismo de que o presidente falou. O que existe é safadeza mesmo em todos os setores do governo e do Estado e aqueles que sabem um pouquinho do que se passa em torno não aguentam mais ter sua inteligência e seus valores insultados, geralmente de forma grosseira e cínica. Mas talvez o novo coleguinha resolva o problema. Antigamente se ensinava que a notícia bem-feita diz na abertura o quê, quem, quando e como. Ele bem que podia fazer isso na primeira coluna dele, ia ficar com assunto para muito tempo.
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Paulo
Como lhe prometi ontem, “sem comentários “, mas devo salientar que fico in-conformado com com um escritor baiano, que laborou no mais manipulado órgão de imprensa daquele estado, ter esta opinião.
A repercussão da negatividade manipulada, é pior que a verdade.
Tenha um bom domingo de Aniversário.
Abraços.
Paulo Afonso respondeu:
junho 21st, 2009 at 11:23
@Mário Mendonça, Faz parte da democracia.
Quem sabe o Franklin Martins escreve a crônica, não é? Afinal ele justificará os 79.000 que ganha por mês como conselheiro da Petrobrás.
[...] E, prosseguindo esse post em que não vou escrever, Lula terá coluna com jornais em resposta a leitores. João Ubaldo me poupou de postar: “Sangue novo na imprensa” (link para não assinantes aqui). [...]
TRANSCRIÇÃO
“O INCONCEBÍVEL LULA”
FHC, o farol, sociólogo, entende de sociologia tanto quanto o governador de São Paulo pelo PSDB, José Serra, entende de economia,ou seja nada..
*Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores.
*Lula, que não entende de economia, pagou as contas do entreguista FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda dá muito aos ricos…
*Lula, que não entende de educação, pois a oposição os pretensos intelectuais e a mídia o classificam como analfabeto e burro, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos e ainda criou o PRÓ-UNI onde filho de pobre vai à universidade…
*Lula, que não entende de finanças, nem de contas públicas elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares e não quebrou a previdência como dizia FHC…
*Lula que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo… mas o PIG (Partido da Imprensa Golpista) entende de tudo acha que não…
*Lula que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, Lula não entende de nada, reabilitou o pró-alcool, acreditou no biodisel e levou o país a liderança mundial de combustíveis renováveis,com a Petrobras entre as maiores empresas do mundo.…
*Lula que não entende de política , mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8…
*Lula , que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou as favas a ALCA , olhou para os parceiros do sul e especialmente para o vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista, tem transito livre com Chaves, Fidel, Obama, Evo etc….bobo que é cedeu a tudo e a todos…
*Lula que não entende de mulher, nem de negro, colocou o primeiro negro no supremo (desmoralizado por brancos), colocou uma mulher no cargo de primeira ministra e vai fazê-la sua sucessora.
*Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha da Inglaterra e afrontou nossa fidalguia branca de olhos azuis.
*Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de John Maynard Keynes(o maior economista do século passado,que enfrenteo o pós guerra mundial com suas teorias), criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora do Estado investir e hoje (o PAC) é um amortecedor da crise…
*Lula que não entende de crise, mandou abaixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre…
*Lula que não entende de português,de inglês, nem de outras línguas, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado como uma das pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual…….
* Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu,é respeitado e notada até pela imprensa americana. E agora já tem a empatia do Obama.
* Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador, é amigo do tal John Sweeny e entra na Casa Branca com credencial de negociador lá, nos states.
*Lula, que não entende de geografia pois nunca viu um mapa, é ator da mudança geopolítica das Américas.
*Lula que não entende de finanças,foi lembrado pelo Presidente Obama,noticiado em todos os melhores jornais no mundo,para ser o Presidente do Banco Mundial.(o único que não seria americano)
*Lula, que não entende nada,imagina se entendesse!!!!