Este meu poema nasceu de uma reportagem que li sobre Serra Leoa, um dos dez países mais pobres do mundo. Os outros são: Zimbabué, R.D. do Congo, Burúndi, Libéria, Somália, Guiné-Bissau, Etiópia, Niger e República Centro-Africana.
Pegajosas nuvens de pó agitavam-se,
Pousando em qualquer lugar, no chão,
Sem um mínimo de constrangimento,
Naquela terra, perdida na imensidão.
Gaviões pairavam no ar aceso da tarde,
Com olhares duros de escrutínio de aço.
Aqueles olhos ávidos estavam à espreita
De algo que lhes matasse o enfado.
O viajante sentiu um líquido amargoso,
Escorrer-lhe da garganta pro seu coração.
E, seus olhos estupefatos, aninharam-se,
Nas saliências daquela mísera visão.
Imersa na profunda lagoa da indiferença,
A criança esquelética tremia, sob o calor,
Que a tarde despejava sobre a terra curtida,
Com os lábios inchados, sem mostrar dor.
O moço escancarou sua caixa de angústia,
Revolta, abomínio e desconsolo, profundos.
Sem saber o que fazer com tamanho delírio,
Sentiu-se impotente, no fosso do mundo.
A resignação puxou-lhe os olhos pra baixo.
Olhou com ternura molhada, em lágrimas,
Aquele montinho farrusco de pobreza, nu,
Naquela terra estéril e desgraçada.
Nos olhos palentes e remelentos do guri
E, na sequidão desesperante de sua boca,
O viajante viu definida toda a infelicidade,
De quem nasce e morre em Serra Leoa.
O homem tocou no serzinho semimorto.
Nada poderia mudar seu perverso drama.
A não ser esperar seu sussurro derradeiro,
E, plantá-lo no ventre da terra africana.
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Lu querida,
Maravilhoso e de uma tristeza imensa. Quanta diferença, minha amiga. Uns com tanto e outros sem nenhum. Sua poesia é tão forte que nos deixa visualizar a pobreza do lugar. E sentir o cheiro morno da desgraça. Beijo. Parabéns!
Lu Dias BH respondeu:
janeiro 18th, 2010 at 12:31
@Ana Lucia,
Aninha
Há certos poemas, em que choro, enquanto os faço.
Esse é um deles. Chorei, quando o fazia.
Escrevo com lágrimas, descendo pelo rosto.
Muitas vezes, marido e filha ficam assustados.
Meu sobrinho, certa vez, me perguntou:
- Tia, se você chora porque é triste, então por que você escreve ISSO? Por que não escreve sobre o CRUZEIRO?
E, eu com os olhos marejados respondi:
- HAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHA
Beijos,
lu
Lu
E quando nosso lider (o cara), fala dos países mais pobres do mundo, a oposição se cala.
Tu já ouviu alguém dos Demos ou Tucanos, falarem do assunto ???
Nunca, nunca verá, não fazem parte deste universo e sim deste, (Com olhares duros de escrutínio de aço).
Abraços
Lu Dias BH respondeu:
janeiro 18th, 2010 at 13:19
@Mário Mendonça,
Mário Mendonça
Eu lhe escrevi uma longa resposta.
Vejo agora que ela não foi.
O mais cruel no planeta é a distribuição de renda.
Há tanta riqueza em mãos de pouco.
E tanta miséria nas mãos de muitos.
Acho que essa gente que só anda de carro com vidro fumê, ou de helicóptero e avião, mas que nunca conheceu a miséria, não tem ideia do que é passar fome.
Este mundo é cão, amigo!
Beijos,
lu
Mário Mendonça respondeu:
janeiro 18th, 2010 at 14:10
@Lu Dias BH,
Lu
Gostaria de ver sua longa resposta.
Abraços
Lu Dias BH respondeu:
janeiro 18th, 2010 at 17:56
@Mário Mendonça,
Mário
Como já escrevo direto aqui, não consigo mais reproduzi-la.
Mas, como rezamos na mesma cartilha, você já imagina o que eu disse.
Estou escrevendo esta resposta pela segunda ve.
O PA está precisando dar um reparo no setor de comentários (olha a rima).
Beijos,
lu
De facto, as suas frases são tão profundas que nos fazem visualizar a desgraça e o drama do local. Seu poema de hoje também se adequa à tragédia do Haiti. Pobres pessoas que nem a um jazigo vão ter direito, são colocadas no buraco com uma pá como se de lixo se tratassem. Sei que tem que ser desta forma, mas dói muito, estarmos no conforto de nossos lares e assistirmos, sem podermos fazer nada, a uma cena que dilacera o coração. Às vezes prefiro nem ver tais imagens e fingir que não sei de nada, mudandfo até de canal muito diplomaticamente. Mas a lembrança da desgraça não sai de dentro de nós. Muito lindo seu poema, como de costume profundo e belo. Bjo.
Lu Dias BH respondeu:
janeiro 18th, 2010 at 13:27
@Cila Caeiro,
Cila
Os países pobres estão sempre na linha das grandes catástrofes, até porque não contam com quase nenhuma infraestrutura preventiva ou de remoção do povo.
Neles, as pessoas nascem miseráveis e morrem miseravelmente.
Que sina mais desgraçada!
Fiquei muito sensibilizada com o sofrimento da gente haitiana.
O planeta Terra, realmente anda irado.
Agora, a Europa passa por um onda de frio inacreditável.
Quarenta graus abaixo de zero.
Está um caos total, com muita gente morrendo.
Nós tivemos o drama das enchentes.
E os donos do planeta não mudam o discurso.
Será este o destino da humanidade?
Ainda não consegui fazer um poema falando do Haiti.
Estou muito vulnerável ao sofrimento daquela gente.
Não tenho o equilíbrio necessário para escrever sobre tal drama.
Estou em choque.
Amiga, obrigada por sua presença querida.
Beijos no coração,
lu
Oi, Lu
Esse seu texto é belo e doloroso. Faz com que a gente não se esqueça da vida desgraçada de milhões de habitantes desse mundo desigual.Ele me remete a uma fotografia famosa de uma criança desnutrida, que vira e mexe passeia virtualmente por nós. Com certeza você já a viu. É uma criança esquelética, praticamente morrendo, com um urubu ao lado, esperando.
Se não me engano, o fotógrafo que a tirou ficou tão impressionado ao revelá-la que acabou desistindo de sua arte.
Abraços
Manoel
Lu Dias BH respondeu:
janeiro 18th, 2010 at 20:51
@manoel.rodrigues,
Menino Nel
Eu estou numa fase de poemas bem associados ao sofrimento humano.
Hoje, fiz um A CARVOARIA.
O terremoto no Haiti mexeu muito comigo.
Quanto à foto de que você fala, ela não me sai da memória.
Fiz um poema sobre ela.
Postarei o poema amanhã, dedicado a você.
Aguarde.
Beijos,
lu
Cris Lacerda respondeu:
janeiro 19th, 2010 at 0:06
@Lu Dias BH, O jornalista em questão é Kevin Carter. Apos um período de depressão e tomado pela culpa em relação à criança, ele se suicidou.
Cris Panterinha
LU DIAS
” Plantá-lo no ventre da terra africana ”
Essa expressão, contida nos últimos versos desta poesia, mostra a extensão do drama vivido pelo povo africano, cada vez mais ao abandono, na fome, miséria, desnutrido, nascendo quase morrendo.
Lu, esta poesia me emocionou, pois sinto que o mundo todo, na direção do materialismo, no consumismo, sem qualquer Deus no coração, destruidor, dia-a-dia do nosso planeta, tem legado aos povos africanos a parte mais amarga da vida.
Por séculos e séculos, o imperialismo europeu explorou os africanos e agora, mesmo se retirando, deixaram o vazio de poder, que se transformou em graves desgraças, em guerras de povos intermináveis, que trouxeram o pior nível de vida em todo planeta.
Parabéns pelos teus versos.
Lu Dias BH respondeu:
janeiro 18th, 2010 at 22:48
@GUTIE,
Gutie
Eu ando numa fase meio descrente com a humanidade.
Há dias em que sinto uma tristeza tão grande, que me valho dos meus poemas para levantar o astral.
Amigo, será que o mundo vai ser sempre assim?
O que estamos fazendo aqui?
Por que alguns não conseguem compreender que precisamos de tão pouco para viver, já que a existência é tão curta?
O drama do povo africano parece uma tragédia anunciada.
Nunca muda.
Depois de terem sido tão massacrados pelo colonialismo europeu, ainda são massacrados pelos próprios governantes, na maioria grandes tiranos.
Amanhã, trago um tema semelhante, para atender ao menino Nel.
Beijos, grande Gutie,
lu
Oi Lu
Muito profundo e com grande sensibilidade este poema.
Não só o nosso planeta, mas também cada ser existente nele (todos os reinos: mineral, vegetal, animal e humano), está passando por profundas transformações, mudança de plano de dimensão, está evoluindo na escada espiral da espiritualidade… isso não depende de acreditarmos ou não. É fato.
Como seremos novos homens e novo planeta sem mudanças físicas, sem destruir o que está doente? Tudo está interligado. Para que o homem mude de ponto é necessário que uma nova terra nasça, e para isto se faz necessária a mudança geral, física e espiritual.
Hoje conversando com minha mãe (Panta) sobre isso, ela me disse que, segundo mestres espiritualistas, o homem nao nasceu para ter uma vida miserável e que quando isto acontece, quando ele vive na completa miséria, vive naqueles casebres, sem nenhum tipo de recurso, acontecem essas tragédias, para purificar tanto o lugar quanto as pessoas/almas ali encarnadas. O processo neste caso é de evolução espiritual tanto para quem parte, quanto para quem fica, mesmo com toda a dor sentida. E no plano espiritual com certeza essas almas terão o amparo necessário.
Para ilustrar o que acabei de expor, ontem foram veiculados vídeo e foto do que restou da igreja que desabou (na qual estava a Drª Zilda Arns). A única coisa de pé que ficou foi um pilar com Jesus Cristo pregado. P/ mim está bem clara a mensagem vinda do Alto: tudo pode ser arrasado, mas a fé, o amor do Cristo e certeza da ajuda de planos mais evoluídos continua firme (veja no link: http://www.youtube.com/watch?v=fcFxi90sST8).
Quanto à foto citada (urubu esperando a morte da criança), li há algum tempo que o jornalista em questão entrou em depressão profunda e abandonou o trabalho. Realmente, muito triste, pois mesmo que quisesse nada mais poderia ser feito para salvar aquela criança. Deve ter sido uma dor profunda ver aquela cena.
Como vc questiona mais acima, eu respondo: o destino da humanidade é a evolução espiritual, que é a verdadeira Vida e a verdadeira realidade. Esta vida física é ilusória, tanto que é passageira… graças a Deus! rs.
Querida Lu.. precisamos ajudar mais o nosso planeta nesta fase de transição. E para isto faz-se necessária o constante estado de oração. Somente através da oração e consequente busca de Luz para o planeta, poderemos minimizar os sofrimentos do momento e do futuro.. que não serão poucos, em todo o planeta.
Então, faz-se necessária a preparação para os dias que virão.
Indico o site http://www.irdin.org.br no qual vc poderá fazer dounload gratuito de estudos e palestras sobre a espiritualidade e as mais recentes informações sobre este momento de transição planetária e também imprimir o boletim eletrônico Sinais.
Para ajudarmos nosso planeta e esta civilização a ter mais Luz, em nossas orações devemos visualizar nosso planeta todo em Luz.
Fecho este extenso comentário, repetindo uma frase que já disse aqui em outros comentários: “O mais breve piscar de olhos reflete na mais longínqua estrela!” Então.. mentalizando nosso planeta todo de Luz… é o que todos precisamos!
Amor e Luz a todos.
Cris Panterinha
Lu Dias BH respondeu:
janeiro 19th, 2010 at 12:39
@Cris Lacerda,
Panterinha
O seu comentário está tão sábio e tocante, que merecia ter vindo em forma de texto para postagem no blog.
Você me ensinou muitas coisas belas.
Dá para sentir o seu amor pelo planeta Terra.
Vou visualizá-lo sempre em azul.
Cris, lendo livros sobre a Idade Média, ali já se falava na transição no planeta e na espiritualidade.
Pelo visto, essa é uma conversa decorrente.
A humanidade continua sempre a mesma.
Cris, infelizmente, para mim, a vida se resume a esta que aqui passamos.
Seu comentário foi muito importante, pois nos abre novos horizontes, novas perspectivas de visão.
Obrigada pela aula interessantíssima.
Tomara que a bondade venha a permear o mundo.
E que a transição se complete.
Beijos,
lu
Lu,
O seu impressionante e doloroso poema retrata o sofrimento
absurdo do povo africano com a fome, doenças, governos,
catástrofes, miséria absoluta. Falta tudo, até a dignidade lhe
é tirada, pela briga travada até por comida.
Sabe, amiga, eu sempre questionei por que este povo sofre
tanto, apesar de que sei que as respostas estão ocultas.
Na verdade, não sei o que dizer diante deste quadro abominável.
Parabéns pelo excelente poema, tocante e verdadeiro.
Abraços, desolada,
Rosalí.
[...] Lu, Muito profundo e com grande sensibilidade este poema. Não só o nosso planeta, mas também cada ser existente nele (todos os reinos: mineral, vegetal, [...]