Sete Vidas – Cristine Martin
“-Emergência, 911.
- Preciso de uma ambulância.
- Você está em 9212 West Third Street em Los Angeles?
- Sim, no quarto número 2.
- Qual é a emergência?
- Houve um suicídio.
- Quem é a vítima?
- Sou eu.”
Este filme perturbador e emocionante começa com uma sucessão de cenas desconexas, e aos poucos vamos compreendendo a história. O auditor da Receita Federal Ben Thomas (Will Smith) é um mistério. Ele age de forma estranha, e faz coisas que parecem sem sentido; mas tudo isso tem um propósito. Ele quer se redimir de um acontecimento trágico em seu passado.
“Em sete dias Deus criou o mundo; em sete segundos eu destruí o meu.”
Ele liga para um atendente de telemarketing, o rapaz cego Ezra Turner (Woody Harrelson) e o trata com crueldade e preconceito; após desligar, vemos a angústia de Ben. Ele procura Emily Posa (a bela e talentosa Rosario Dawson), que tem uma doença congênita no coração, e lhe oferece um prazo maior para que ela quite uma dívida com a Receita. Ben pede à assistente social Holly que lhe indique um nome, e ela sugere Connie Tepos, que tem dois filhos pequenos e é espancada pelo namorado. Ben procura Connie e lhe deixa seu cartão. Ele também limpa sua bela casa de praia e se muda para um motel, enquanto se recusa a falar com seu irmão.
O motivo para todas essas decisões, aparentemente desconexas, será revelado ao longo do filme, que culmina em um final surpreendente de sacrifício e generosidade.
Este é um filme que nos toca profundamente; uma história de amor e sofrimento, que nos faz pensar até que ponto nos sacrificaríamos por outra pessoa, e o que faríamos para nos redimir de um erro. Como fazer para superarmos um trauma? Como continuamos a viver quando nosso mundo é destruído? Como reparar o mal que causamos?
As excelentes atuações, ótimo roteiro (de Grant Nieporte) e direção competente (de Gabriele Muccino) garantem o resultado impecável, que dão suporte à história comovente de Ben Thomas. Smith e Muccino trabalharam juntos antes em “À procura da Felicidade”, outro filme comovente; Will Smith disse que o diretor era “um mestre em relacionamentos humanos”.
Spoiler: O título do filme em inglês (“Seven Pounds”) é uma referência à peça de Shakespeare, “O mercador de Veneza”, na qual o mercador Antonio concorda em dar ao agiota Shylock uma libra de sua própria carne se a dívida não for paga no prazo. No filme, Ben paga sete “libras” pelas sete mortes que causou. Com exceção de Connie, todas as libras são pagas com sua própria carne.
Will Smith já provou que é um ótimo ator e tem feito dramas excelentes, além das comédias pelas quais ficou famoso. Neste filme ele consegue nos causar empatia com o drama de Thomas, e nos levar às lágrimas. Prepare o lencinho e não perca este filme maravilhoso. Em cartaz no canal HBO e também disponível nas locadoras.
* * *
Para saber mais:
-
Página do filme no IMDb
Trailer: Sete vidas (legendado)
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Cris
O ex-garoto Will Smith dos seriados vem se tornando um ator cada vez mais completo.
A presença dele num filme já é sinônimo que vale, pelo menos, a sua atuação.
A descrição que você faz do filme Sete Vidas, com detalhes bem profundos já significa que se trata de um dos bons filmes a serem vistos.
Você escreve:
“Este é um filme que nos toca profundamente; uma história de amor e sofrimento, que nos faz pensar até que ponto nos sacrificaríamos por outra pessoa, e o que faríamos para nos redimir de um erro. Como fazer para superarmos um trauma? Como continuamos a viver quando nosso mundo é destruído? Como reparar o mal que causamos?”
Os questionamentos, aqui, levantados são bem profundos, embora façam parte de nossa vida cotidiana.
Lidamos com eles o tempo todo.
As respostas nunca são suficientes.
Ou nunca as temos de fato.
Amiga, não seria possível você fazer um comentário sobre o filme “Preciosa,…” um dos concorrentes ao Oscar?
Com certeza receberá o prêmio de atriz coadjuvante.
Gosto da maneira como você escreve sobre cinema.
Beijos,
Lu
Cristine respondeu:
março 1st, 2010 at 14:44
@LuDiasBh, obrigada por abrir meu botequinho.
Também acho que o Will Smith é um dos bons atores da atualidade; além de talentoso, ele é bem versátil: começou como rapper, fez sucesso em comédias de TV e cinema e agora vem mostrando que também é um bom ator em papéis dramáticos. Aliás, em 2008 ele foi considerado o ator mais bem pago de Hollywood, e também é o ator mais valioso do cinema, devido ao seu “poder de gerar bilheteria”.
Quanto ao filme, foi uma boa surpresa. Gostei muito, e pretendo vê-lo novamente. Se puder, assista-o e nos conte o que achou.
Não sei se terei tempo de ver o filme “Preciosa” (nem sei se está passando aqui em Mogi, não moramos na capital como você – rsrs), mas li uma excelente crítica do filme feita pela Lola:
http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2010/02/critica-preciosa-culpada-e-mae.html
Não deixe de visitar o blog da Lola, ela escreve muito bem sobre cinema, feminismo e diversos assuntos. Você vai gostar!
Grande beijo, amiga!
CRISTINE
Adora vê-la comentando filmes e atores.
Realmente, gosto também deste ator, Will Smith, nos filmes que o vi em atuação.
Não tive ainda o prazer de assistir ao filme, ora comentado por ti, mas tão logo que oportunidade não o deixarei de fazê-lo, principalmente pelos aspectos mais destacados, que é a nossa postura depois de causarmos, por nossa conduta incorreta e injusta, grande mal ao nosso semelhante.
Infelizmente, há muitas pessoas que não sofrem nenhum arrependimento, pois parecem que não tem consciência, nem alma e coração.
O tema, portanto, é muito atraente.
Abraços.
Cristine respondeu:
março 3rd, 2010 at 14:40
@GUTIERRITOS, obrigada por seu comentário. Se puder, veja o filme, pois é mesmo muito bom.
Não sei se concordo com a solução escolhida pelo personagem para reparar o mal causado por ele, mas a questão nos faz pensar, e imaginar o que faríamos se estivéssemos em seu lugar.
Quanto a pessoas que não têm arrependimento, infelizmente as há, e também as que não têm o mínimo escrúpulo em se aproveitar de uma situação de poder para tirar vantagens pessoais… essas vemos aos montes no noticiário, infelizmente.
Grande abraço!