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Três enfoques – três cenas – Ana Lucia Timotheo da Costa
Sol da tarde. Canteiro central que divide duas pistas de muito movimento. Dentro dele há um homem dormindo. Embriagado? Desiludido? Esperanças distantes? Isento ao barulho da rua lá está ele entregue, inerte. Foge da vida, como bem disse um dia Lowen.
Adiante um casal de cócoras, do lado de fora de um pequeno buraco, debaixo do viaduto. Conversam. Não há porta – apenas a indicação da entrada. Imagino que só há espaço para que andem semi-agachados. Devem usar o buraco para passarem a noite. Parecem ratos.
Percebo, à altura dos olhos, nos pilares dos viadutos, os escritos do ‘profeta’ Gentileza – Jesssuss, bonddadde, amorrr, pazz, alegrriia…
Tenho a cabeça confusa. Busco o porquê de tanto contraste. Carros tantos e caros, no meio daquelas cenas que me levam a questionar as diferenças. O desequilíbrio que grita sem que muitos o percebam. São insensíveis ou dissimulados?
Abençoado seja! – Ana Lucia Timotheo da Costa
Chegou quando eu já
Não acreditava.
Tomou assento
E invadiu meu coração.
De beleza pura
Me comove.
Leva-me a passear
Pelos refúgios da paixão.
Os dias são mais claros
Se há chuva não percebo.
Veio de longe
A estrada é farta.
Caminhos diferentes dos meus.
O que sei
É que ele me basta
E me faz melhor.
Fartura de emoções
Em sintonia.










