Posts com a tag:Crônica da madrugada

A natureza humana

Por Paulo Afonso, 11 de junho de 2010 0:10

Crônica da madrugada

Custei a achar um título para a crônica de hoje. As múltiplas ideias, tanta coisa a dizer, confundiram minha mente. Poderia ter deixado para colocar o título depois, mas sempre segui uma ordem e o título é sempre o primeiro nas minhas redações. Finalmente encontrei, já que o comportamento humano é o assunto principal de hoje.

De início, participo aos amigos que conseguimos a primeira caixa de Tarceva fornecida pela Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, cumprindo decisão judicial. Os agravos se sucedem, mas estamos tendo o apoio dos desembargadores que os julgam e o Estado do Rio de Janeiro ainda não conseguiu se livrar da sua obrigação. Espero que desista de apelar, pois os resultados do tratamento têm sido excelentes e o Supremo Tribunal Federal já se manifestou a esse respeito.

Este ano que passou, desde o descobrimento da doença até os dias atuais, tem sido de muitas batalhas e, principalmente, de aprendizado. Máscaras caíram. Ajudas chegaram de onde menos se esperava. Quem tinha mais condição, no entanto, se omitiu quase por completo.

Uma vez li sobre uma pesquisa, ou algo assim, onde se dizia que, numa arrecadação feita em um grande hospital para ajudar uma instituição de caridade, quem mais podia colaborar, médicos e altos executivos, se abstiveram ou participaram modestamente. O mais humildes, ao contrário, enfermeiros e serventes, foram os que mais contribuíram. Talvez por conhecer de perto as necessidades do próximo.

O tratamento do câncer é muito caro, mesmo para quem tem plano de saúde. Há despesas inevitáveis, não cobertas pelos planos, e poucos conseguem equilibrar o orçamento sem se desfazer de bens ou contrair dívidas. Neste momento, quando muitos perdem o rumo, assistimos a atos de grandeza por parte de uns poucos parentes que, mesmo ganhando pouco, fazem questão de contribuir com alguma coisa. Outros, os mais abastados, nem tanto.

Aproveito para agradecer aos que se preocuparam, rezaram e deram forças para continuar na luta. Os resultados estão aí. Muito obrigado!

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Lembranças do holocausto

Por Paulo Afonso, 3 de junho de 2010 1:51

Crônica da madrugada

Ficamos indignados ao ouvir alguém, principalmente quando se trata do principal mandatário de uma nação, questionar a existência do holocausto. As imagens reais, de seres esqueléticos morrendo de inanição ou na câmara de gás, nunca serão apagadas de nossas mentes. O presidente do Irã, que nega o holocausto, tem o meu mais completo repúdio.

Parece, no entanto, que os sobreviventes desse horror, descendentes dos que morreram em campos de concentração nazistas, não se lembram de nada do que houve e tratem povos vizinhos com requintes de crueldade imperdoáveis em nossos dias. Afinal, de opressão eles entendem, ou deveriam entender.  O bloqueio que acontece na Faixa de Gaza é lamentável. Atacar navios que levam ajuda humanitária àqueles povos que lá vivem, estando em águas internacionais, é de uma violência inaceitável.

Sempre fui simpático à causa palestina. Se Israel recebeu, de mão beijada, terras para reunir seu povo, o mesmo deve acontecer com os palestinos, que lá já estavam antes de 1948. Também acho que as fronteiras de Israel deveriam retornar aos limites de 1948. Faixa de Gaza não é território de Israel.

gentileza

gentileza

Sei que esta matéria poderá desagradar a muitos. Reafirmo que não tenho nada contra o povo judeu. Apenas não aprovo a maneira violenta, com o apoio dos americanos, com que tentam resolver suas questões. Neste ponto concordo com o nosso presidente, sempre procurando soluções negociadas para as divergências (embora discorde de sua amizade com o presidente do Irã e com outros assemelhados mais próximos). A violência só agrava os desentendimentos e incentiva o terrorismo e as guerras.

Mais um navio está a caminho de Gaza, partindo da Irlanda. Que o bom senso prevaleça.

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Vacine-se contra a gripe H1N1

Por Paulo Afonso, 19 de maio de 2010 0:05

Crônica da madrugada

Frequentemente recebo e-mails condenando o uso da vacina contra a gripe H1N1. O governo é criticado por omitir informações sobre os riscos que a vacinação acarreta e recomendam que não façam uso da mesma.

Vacinei-me há alguns dias e não tive a mínima reação, nem a dor local que seria normal se aparecesse. Todos da família fizeram o mesmo e nada tiveram. Não sei se estaríamos comemorando alguma coisa se não fossemos vacinados e a terrível gripe H1N1 nos acometesse. Talvez o Tamiflu resolvesse, mas quem garante? Muita gente já morreu vitimado pela gripe H1N1, inclusive jovens fortes e saudáveis. O Tamiflu, ao contrário da vacina, pode provocar reações sérias.

Sou um crítico feroz do Ministério da Saúde quando vejo a situação de abandono que atinge nosso povo, passando noites em filas de Hospitais e Postos de Saúde para conseguir uma senha de atendimento. Também critico a falta de medicamentos para aqueles que deles precisam, principalmente no tratamento de Câncer e Aids. Mas não posso deixar de reconhecer o excelente trabalho que o governo vem fazendo para imunizar a população contra esta terrível gripe. Se os resultados não são melhores deve-se a campanhas negativas, espalhadas por e-mail,  que partem não se sabe de onde e com que finalidade, sem qualquer respaldo científico.

Você conhece alguém que tenha sido vacinado e que tenha passado mal ou morrido por causa da vacina? Eu não.

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A Saúde, no Estado do Rio de Janeiro, vai de mal a pior

Por Paulo Afonso, 10 de maio de 2010 1:53

Crônica da madrugada

Os noticiários de hoje falam do drama de uma família que tenta doar os órgãos de uma jovem de 19 anos que morreu no sábado, véspera do dia das mães.

Tainá  morreu vítima de um acidente de carro em Cabo Frio, na Região dos Lagos, Estado do Rio de Janeiro. O socorro demorou 40 minutos para chegar e ela não resistiu aos ferimentos. Desde então a família tenta, sem sucesso, doar os órgãos, atendendo ao desejo da propria vítima.

Pelo tempo decorrido a doação não será mais possível.

Este é o retrato da Saúde no Estado do Rio de Janeiro. Como é possível imaginar um socorro demorar 40 minutos para chegar? E o tão propagado SAMU, não existe? Por que tanta demora em chegar ao local do atendimento? Qual a desculpa desta vez?

Nem falo do socorro nos hospitais das cidades da Região dos Lagos. Quem precisar, por exemplo, de um ortopedista em Araruama, torça para ser o dia do seu plantão ou para que ele esteja em casa e atenda ao telefone. Diagnósticos errados, nem é bom falar. São frequentes. Quem passar mal em Iguabinha, município de Araruama, onde tenho casa, ou conte com um carro que o traga para um hospital particular no Rio, se der tempo, ou a família pode ir encomendando o enterro. Já perdi um vizinho nessas condições. Passou mal durante a madrugada e infartou. Quando conseguiu que um carro da polícia o levasse ao hospital, já era tarde.

Nas outras cidades da região não é diferente. Alguém conhece o Pronto Socorro de Iguaba Grande? Eu conheço. Estive lá quando a Dengue me pegou. Hospital novo, mas nem parece novo, nem parece hospital.

A Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro está envolvida em escândalos desvio de verbas, com superfaturamento de serviços de manutenção de veículos. A (mal) dita secretaria assinou contrato para manutenção dos veículos de combate ao mosquito transmissor da dengue, pagando R$ 45 mil por ano para cada veículo. Os pneus não estão incluídos no contrato. Por este valor seria possível jogar o carro fora, comprar um novo e ainda usar o troco para abstecer durante o ano inteiro.

O fornecimento de medicamentos é outra vergonha. A Secretaria de Saúde do governador Sérgio Cabral não fornece medicamentos de combate ao câncer, mesmo intimada pela Justiça. Alega que o medicamento está em fase de licitação e, com isso, ganha tempo para apresentar recursos, na tentativa de derrubar liminares.

Esta é a situação caótica da saúde no Estado do Rio. Pelas informações que tenho, a situação nos outros Estados não se aproxima dessa vergonha. Ninguém acredita que isso possa ocorrer no Rio de Janeiro.  Mas acontece.

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Se todos fossem iguais… – Paulo Afonso

Por Paulo Afonso, 13 de março de 2010 4:45

Crônica da madrugada

Imagine um mundo sem fronteiras, onde todos vivam felizes, como irmãos. Com esse sonho viveu John Lennon e milhões de pessoas, anônimas na maioria.

Com esse mesmo sonho, outras tantas vivem em prisões, em pleno terceiro milênio, pagando pelo crime de pensar diferente e desejar um mundo melhor.

Há dez anos vivemos em um novo século, em um novo milênio, na tão esperada Era de Aquário. Mas as coisas não mudaram. Antes de melhorar o planeta é preciso acabar com o lixo, que está em toda parte. Esse lixo, que estava escondido, começa a aparecer, na medida em que a faxina começa. E os vermes, baratas e ratos enlouquecem, pois não gostam de ambientes limpos. Vivem na imundície, na podridão.

Nós, humanos, habitantes desse pequeno planeta perdido no Universo, temos uma casa perfeita, em ambiente de luxo, onde tudo foi preparado para nos fazer feliz. Mas vivemos em constante luta, como acontece no Big Brother, onde uma dúzia de escolhidos poderia viver, por três meses, num verdadeiro paraíso, mas não fazem nada além de se devorar pelo dinheiro. Tal lá, como cá.

No nosso planeta ainda há fronteiras. Algumas delas abrigam países governados com mão de ferro por ditadores, eternos no poder, onde as prisões acolhem aqueles que pensam diferente dos governantes e acreditam que o mundo pode, e deve, crescer e evoluir em liberdade. Seu povo, atrasado, tristonho e oprimido, não experimenta as facilidades do mundo moderno. Parou no tempo, na época em que a ditadura começou. Não há democracia e o poder é transferido aos parentes próximos. Os que governam são os donos do país, tendo o povo como escravos. E quem desobedece passa 30 anos na cadeia, se conseguir sobreviver.

Há muitas nações nessas condições, mas todos já sabem que falo de Cuba, o centro das atenções dos noticiários atuais. As prisões estão cheias de condenados, cujo crime foi discordar do governo e pensar. Pensar! Essa é a diferença. É proibido pensar em Cuba. Pensar? Só para concordar!

O Brasil, que tem procurado impor-se ao mundo, rompendo fronteiras e se fazendo presente em outros países, poderia ter aproveitado a oportunidade de mostrar seu apreço pela liberdade. Por uma feliz coincidência, estávamos em Cuba quando aconteceu a primeira morte de um preso, em greve de fome. O que fez o nosso presidente? Condenou o prisioneiro Zapata por haver praticado tamanha tolice. Não caberia ao Brasil se intrometer em problemas internos de Cuba, mas o mesmo não se aplicou a Honduras, onde até a casa da Embaixada foi cedida ao ex-presidente Zelaya, deposto ao tentar dar o golpe da perpetuação no poder.

Nossos atuais governantes sabem, ou deveriam saber, o que é ter idéias diferentes dos ditadores e lutar pela liberdade. Afinal, o sucesso de todos eles nasceu no combate ao regime militar. Essa luta rendeu dividendos políticos e, até mesmo, ou principalmente, indenizações milionárias, muitas até sem merecimento. Há casos de guerrilheiros que, hoje recebendo indenizações, mataram ou mutilaram inocentes, que sobrevivem na miséria, sem qualquer ajuda do Estado.

Enfim, este é o mundo dos humanos, onde a escravidão não acabou e está mais viva do que nunca. Somos escravos do dinheiro, dos impostos, do que fazemos e, principalmente, do que pensamos. Um planeta onde o maior crime é ter idéias. Muitos já morreram por elas e continuarão morrendo.

Este artigo poderá desagradar a muitos. Pensei até em não escrevê-lo para evitar aborrecimentos. Se me calasse, seria menos uma voz na luta contra governos tiranos. Estaria contribuindo para a perpetuação da escravidão humana. Chegou a hora de protestarmos contra isso e condenarmos aqueles que apóiam esses ditadores.

Ou o Brasil toma, perante o mundo, uma posição que coincida com os anseios de liberdade de seu povo, ou estará sendo conivente com o que de pior ainda sobrevive no planeta. Saiamos de perto do lixo. Se ainda for possível.

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Cedae e a falta d’água

Por Paulo Afonso, 4 de julho de 2009 3:40

Crônica da madrugada

Jóia da Barra

Na semana passada a Cedae, finalmente, consertou um grande vazamento de água, na esquina da Av. Embaixador Abelardo Bueno com Rua Jorge Faraj, em frente ao Autódromo, na Barra da Tijuca. A água jorrava com muita força e, durante 15 dias, destruiu calçadas e canteiros, além de inundar as pistas de rolamento e a tubulação de cabos da NET.

Coincidência, ou não, a partir daí começou a faltar água no Condomínio Jóia da Barra, com cerca de 500 apartamentos, localizado nesta mesma esquina (ver imagem).

As equipes da CEDAE estiveram no local e informaram, após análise do problema, que a causa da falta dágua era algum problema interno no condomínio. Só não informaram por que a água, que antes chegava com pressão ao hidrômetro, agora chega bem fraquinha, praticamente um filete.

A CEDAE não admite a responsabilidade, não conserta, e ainda transfere a culpa para o usuário final. Conheço bem os serviços da CEDAE. O problema da falta d’água em Iguabinha (Araruama) só foi eliminado quando o fornecimento de água passou para a responsabilidade da empresa Águas de Juturnaíba.  Bastou tirar a CEDAE para acabar o problema. Estranho, não?

Vamos ver o que acontecerá no fim de semana, quando as mais de 2000 pessoas que vivem no Condomínio Jóia da Barra estarão em casa. Sem água!

Atualização das 11 horas:

No início deste sábado a administração do Condomínio encomentou carros-pipa.

Atualização das 17 horas:

Continua a faltar água no Jóia da Barra. Mais carros-pipa foram comprados. A CEDAE ainda não resolveu o problema, que ela acha que não é dela.

Carro pipa no Jóia da Barra

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Quinze anos sem inflação

Por Paulo Afonso, 29 de junho de 2009 0:30

Crônica da madrugada

Em 1º de julho de 1994 mudou a moeda brasileira. O REAL chegou para ficar, com promessa de acabar com a inflação.

O brasileiro, sempre esperançoso, já não aguentava mais tantos planos mirabolantes. Estava cansado de fechar supermercados, controlar preços, deixar de consumir, mas continuar pagando juros que consumiam mais da metade do seu salário. Quem resistia a juros de 50% ao mês?

Nesta época morava no Leblon, na Rua Artur Ramos, ponto nobre do bairro, e pude assistir ao aumento dos aluguéis e congelamento de salários. Tendo mudado de emprego, recebendo um salário menor, fui obrigado a deixar o bairro e a cidade, morando dois anos em Iguabinha, onde tinha casa, e os custos seriam menores. Chegava a acreditar que a oposição ferrenha que o PT, meu partido de simpatia, fazia ao Plano Real, tinha razão de ser.

Mas os juros do cheque especial, que consumiam metade do meu salário, deixaram de ser a assombração de todo final de mês. Algo mudara. Para melhor.

O tempo passou. Quinze anos se passaram.

Hoje, felizmente, podemos dizer que o Plano Real deu certo e foi o mais bem sucedido plano brasileiro de estabilização econômica. Se ainda houvesse inflação não teríamos os números impressionantes que nossa economia apresenta. A classe C, hoje tão favorecida, teria aumentado bastante, numéricamente falando, acrescida pelos sobreviventes da classe média. Com certeza não poderia usufruir de todas as vantagens que hoje recebe e o seu poder de compra não seria o mesmo.

Tudo começou há 15 anos.

 

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