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“As Serenatas”, de José de Barros, visto por Dulcinea Santos

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Por Paulo Afonso, 7 de março de 2010 21:55

“Leve, delicado, lírico, de frases construídas com a naturalidade da pena que corre com o sentimento junto, sensível ao belo, à estesia, assim é o estilo do escritor José de Barros. Seus contos expressam a riqueza dos costumes de um tempo em que a palavra não costumava ferir a escuta sensível, em que a palavra traduzia era o homem sensivelmente humano, como neste exemplo em que ela, a palavra chã, desagradavelmente forte, que viria na narrativa, deu lugar à construção eufemística: Contam que alguns deles foram afugentados com conteúdo de um urinol cheio…

Um dos topos que emprega é aquele comum ao lirismo de uma época em que o homem contemplava a lua ainda não visitada pelo descrente homem moderno, acolhendo o mistério: a Noite. A noite suscita as secretas coisas do coração. Diz-nos o crítico Alfredo Bosi, no seu História concisa da Literatura Brasileira, que a natureza romântica é expressiva, ela significa e revela, ao dia preferindo a noite. José de Barros, o eu lírico, assim a tem: Noites prateadas pela lua cheia. Noites frias, agitadas pelo vento sul. Noites calmas; a natureza adormecia para despertar em manhãs coloridas pelo sol que se erguia no horizonte nebuloso. Era de prata sim – cor luminosa da notívaga lua branca-, o sentimento que refletia a alma do amante-trovador, sentimento que, em suave forma contemplativa, fazia ressoar, deixar transparecer, o inocente enlevo, a pura admiração, o mavioso canto profundo: Formas delicadas de manifestar emoções, de dizer a ela: “Eu te amo”.

As serenas serenatas vinham em vibrantes acordes amorosos, pelos quais os amantes falavam pela música o que não eram capazes de dizer com palavras. As palavras, de forte cor, assim, decerto, tingiriam, inadvertidamente, o suave, velado, respeitoso, sensível, pudor. Eram os sons, na expressiva linguagem dos sentidos, em interseção apaixonada, que atravessavam os olhares: Era a continuidade daquele olhar para ela, no jardim, quando ouviam a banda tocar. Pela música, outro valor da estética romântica, o eu lírico liberava-lhe a alma.

Pelos sonhos, pelos devaneios, pela imaginação, o escritor José de Barros, em seu conto As Serenatas, oferece-nos o retrato de uma época – idos dos anos quarenta do recente século XX -, em que rememora pessoas, canções, lugares, festas, todos os acontecimentos, fazendo-o com. o saudosismo de uma alma romântica, na volta nostálgica ao passado – este efêmero instante, agora tornado, em sua escrita, expressiva lembrança:

Tudo passou tão depressa na vida…

Recife, 06 de março de 2010
Dulcinea Santos “

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