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Os grandes intérpretes da música brasileira – Gutierritos-SP

Por Gutierritos-SP, 11 de março de 2010 6:56

FRANCISCO ALVES

Parte I

Francisco Alves morreu em 27 de setembro de 2009, vitimado por um acidente de carro, na via Dutra. Foi uma tristeza de norte a sul.

Ao tomar conhecimento, a Rádio Nacional parou todas as suas programações e passou a comentar o seu falecimento. A primeira gravação que essa emissora colocou, no ar, penso que até propositadamente, foi o “Adeus ”, composição de Silvino Neto, gravada por Francisco Alves, comovendo ainda mais o povo brasileiro.

Imaginem o povo ouvindo a música, com letras que pareciam ser uma carta de despedida do Rei da Voz:

Adeus, adeus, adeus,
Cinco letras que choram,
Num soluço de dor..
Adeus, adeus, adeus,
É como o fim de uma estrada,
Cortando a encruzilhada,
Ponto final de um romance de amor.

Quem parte tem os olhos rasos d’água,
Sentindo a grande mágoa,
Por se despedir de alguém.
Quem fica, também fica chorando,
Com um coração penando,
Querendo partir também.

Adeus, adeus, adeus.

Vejam a magnífica interpretação de Eduardo Cabus e Nancy Monçores em Francisco Alves “O Rei da Voz” – São Paulo – SP – Teatro Bibi Ferreira:

Francisco Alves era contratado da Rádio Nacional e a emissora, depois de algumas horas, decretou luto e encerrou suas transmissões no dia.

Foi uma das ocasiões que o País parou e para chorar. Ele não era apenas um cantor, mas um ídolo nacional.

O Brasil todo conhecia as músicas do Rei da Voz, também apelidado de Chico Viola, que se fazia acompanhar sempre de um violão. Foi um dos maiores intérpretes, chegando até a fazer composições, ao lado de Sílvio Caldas, Orlando Silva, Carlos Galhardo, em todos os tempos, de canções, serestas, valsas – estas que foram as grandes músicas populares até a metade do século passado.

Vale a pena acompanhar este vídeo do programa Ensaio da Tv Cultura, feito em 1995, que mostra o grande cantor popular que foi o nosso Chico Viola.

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West Side Story – Parte 2 – Something’s coming – Gutierritos-SP

Por Gutierritos-SP, 9 de março de 2010 20:31

Parte 2 – Something’s coming

West Side Story
West Side Story

Vimos, nas primeiras cenas, que havia um sério conflito, entre as gangues rivais, os Jets, nativos da América, liderados por Riff (Russ Tamblyn ) e os Sharks, os porto-riquenhos, liderados por Bernardo (George Chakiris) pela disputa do território, onde moravam. Era sempre um palco de provocações e lutas, dificilmente eles poderiam pacificamente conviver.

Mas havia um local, onde se realizavam bailes, bem policiado, e que era considerado um território neutro, onde todos podiam frequentar, sem grandes desavenças.

O vídeo abaixo mostra o momento em que Tony (Richard Beymer) foi convencido por seu amigo Riff para ir ao baile, às dez horas, onde tanto os nativos como os porto-riquenhos iriam comparecer.

Riff estava pensando em promover o retorno de Tony à gangue, que havia abandonado para trabalhar. E o queria no baile, para ajudar os Jets nas provocações aos Sharks.

Tony concorda em ir ao baile apenas para se divertir, mas nunca Riff poderia imaginar que Tony era um sonhador…

E Tony, de repente, teve a sensação de que algo maravilhoso, grandioso e muito bom para ele estaria chegando. Como se um milagre estivesse para acontecer. E seria naquele baile. O seu sonho que estaria para se realizar ? Um grande amor ? Quem sabe?

E passou a cantar uma linda canção, tão bela como o sonho de um jovem em busca de um amor!

A interpretação é de Richard Beymer, que dubla, na música, a exuberante voz Jimmy Bryant.

SOMETHING´S COMING

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West Side Story – Amor, sublime amor – Gutierritos-SP

Por Gutierritos-SP, 6 de março de 2010 7:13

wss

PARTE I – O INÍCIO

Não sou um crítico de cinema. Minhas opiniões são subjetivas, apenas de quem gosta da arte e de expor o que a minha sensibilidade diz que é bom, tanto que cheguei até a me emocionar diante de um filme que eu amei, do começo ao fim. Lindo, maravilhoso.

Ele foi lançado em 1961 e no Brasil levou o nome de Amor, Sublime Amor. Dizem, os criticos, que o seu gênero é musical, mas na minha ótica é pura arte, tomada no seu sentido mais amplo, açambarcando tudo que cabe dentro do seu conceito, como a música, a dança, a fotografia, o desempenho dos atores, o teatro dentro do cinema, o figurino, a apresentação maravilhosa do cenário, tudo inserido estética, sensorial, emocionalmente dentro do seu contexto e tantas outras coisas que, durante os capítulos que apresentarei, farei força para expor meu encantamento.

A verdade é que o filme foi um sucesso, no gênero artístico, sem precedentes, ganhando nada mais do dez Oscars, o que irei comentar ao longo do tema. Ademais, obteve prêmio no Globo do Ouro e no Grammy, ambos em 1962.

Vou falar dele em doses homeopáticas, pois merece considerações mais detalhadas, máxime pelo seu romantismo em contraste com o realismo, desafiando as barreiras do amor.

West Side Story foi um divisor de águas: o cinema nunca foi o mesmo depois deste notável filme.

É importante situar que os fatos históricos no filme se passam no lado Oeste de Manhattan, em Nova Iorque, nos EEUU, onde entram em conflito a gangue branca, os Jets, e a gangue rival, de porto-riquenho, os Sharks.

As raízes do confronto, evidentemente, são  a disputa odiosa pelo território, onde os Jets sentiam-se seus donos, mas tendo como pano de fundo o preconceito em relação aos imigrantes, o que sempre acontece, máxime em mundo competitivo, onde o futuro dos jovens nativos pode ser ameaçado por estrangeiros, na disputa do emprego, do lugar ao sol.

Como se pode verificar, tanto a música como a dança e todas as demais considerações feitas acima, artes maravilhosas, deram o ar da graça, logo no início do filme, na sua apresentação, um espetáculo digno de se assistir, pois as provocações que viraram briga até a chegada da polícia são uma confusão maravilhosa, com música e bailado do mais alto nivel, misturados com a ação do filme. Imperdível.

Não percam, é demais:

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Um tributo ao literato e historiador José de Barros

Por Gutierritos-SP, 4 de março de 2010 7:15

José de Barros nasceu em Torrinha, onde passou sua infância e juventude, cidade que amava demais.

Residiu, ainda, em Piracicaba, cidade que também se apaixonou. Lá se formou na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da Unimep de Piracicaba, graduado em História.

Foi membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Piracicabana de Letras, ainda membro correspondente da Academia Paulista de História e membro honorário da Academia Internacional de Letras “ Três Fronteiras”.

Publicou, além de Minhas e Outras Memórias de Torrinha, mais o livro Lobisomem e Companhia, premiado com o primeiro prêmio internacional de folclore pela Academia Uruguaiana de Letras do Rio Grande do Sul.

Depois que todos estivemos lendo a beleza do texto As Serenatas, acima publicado, de autoria de José de Barros, um retrato histórico do que eram as serenatas lá no tempo de nossos avós, pensei em postar, homenageando o excelente autor, música e sua letra, dignas do seu escrito.

Meu objetivo é que todos lessem seus versos encantadores e a ouvissem, tão bela como é, e tivessem assim mais uma lembrança musical, como se presentes estivessem, daqueles tempos lindos, tempos de serenatas, que se foram, mas restaram nos escritos maravilhosos de José de Barros.

E escolhi a inesquecível valsa-canção, A Deusa de Minha Rua, que possui estes versos que falam pelo coração:

DEUSA DE MINHA RUA

Composição: Newton Teixeira / Jorge Faraj

A deusa da minha rua
Tem os olhos onde a lua
Costuma se embriagar.
Nos seus olhos eu suponho
Que o sol, num dourado sonho
Vai claridade buscar.

Minha rua é sem graça,
Mas quando por ela passa,
Seu vulto que me seduz,
A ruazinha modesta
É uma paisagem de festa,
É uma cascata de luz.

Na rua uma poça d’água,
Espelho da minha mágoa,
Transporta o céu
Para o chão.
Tal qual o chão de minha vida,
A minh’alma comovida,
O meu pobre coração.

Espelhos da minha mágoa
Meus olhos
São poças d’água,
Sonhando com seu olhar.
Ela é tão rica e eu tão pobre,
Eu sou plebeu
ela é nobre,
Não vale a pena sonhar.

Agora, ouçam-na cantada pelo seresteiro Roberto Mahn, acompanhado do violonista Alessandro Penezzi, feita no Teatro Municipal de Piracicaba, que foi precedida da declamação do poema de Mário Quintana, denominado Maria.

O livro Minhas e Outras Memórias de Torrinha, de José de Barros, representa o seu amor a Torrinha, onde nasceu, tão lindo seus textos, tão românticos, onde presentes, a todo o tempo, estão o seu coração e sua alma.

Livro maravilhoso!

A música que postei – pura seresta – representa um tributo ao seu texto maravilhoso, As Serenatas. E aconteceu em um teatro em sua adorada Piracicaba, cidade que o acolheu, onde residiu e foi muito feliz.

José de Barros, ainda, no texto As Serenatas, aludiu a Zequinha de Abreu, e achei oportuno também postar uma das música mais lindas deste notável compositor, na interpretação magnífica de Dilermando Reis, para sentir como aquele tempo era maravilhoso.

Postado por GUTIERRITOS

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Homenagem ao Rio de Janeiro – Gutierritos-SP

Por Gutierritos-SP, 1 de março de 2010 23:00

VALSA DE UMA CIDADE

COMPOSIÇÃO DE ISMAEL NETTO E ANTONIO MARIA

Hoje a cidade maravilhosa completou 455 anos e não poderia deixar de dizer que, como todos os brasileiros, amamos o Rio, como se tívessemos nela nascido.

Uma das músicas que mais gosto e que pode resumir meus sentimentos em relação ao Rio de Janeiro é Valsa De Uma Cidade, composição de Ismael Netto e Antonio Maria, com letra e melodia maravilhosas. Realmente uma grande homenagem à cidade maravilhosa, onde com ela cantamos os parabéns à linda aniversariante.

Que versos encantadores:

Vento do mar no meu rosto
E o sol a brilhar, brilhar
Calçada cheia de gente
A passar e a me ver passar
Rio de janeiro, gosto de você
Gosto de quem gosta
Deste céu, desse mar,
Dessa gente feliz
Bem que eu quis escrever
Um poema de amor e o amor
Estava em tudo que eu quis
Em tudo quanto eu amei
E no poema que eu fiz
Tinha alguém mais feliz que eu
O meu amor
Que não me quis.
Em tudo quanto eu amei
E no poema que eu fiz
Tinha alguém mais feliz que eu
O meu amor

E que música linda!

Vejam a interpretação de Rita Lee, em show que no Rio de Janeiro, na Praia de Copacaba, em 2007:

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Onde está a diferença entre doenças mentais e físicas? – Gutierritos-SP

Por Gutierritos-SP, 1 de março de 2010 21:30

A abordagem feita, sobre as doenças mentais, carregada muitas vezes de preconceito, é um mal maior do que os danos que elas trazem às suas vítimas. Infelizmente, este é um assunto que, para muitos, ainda é tabu.

Lamentavelmente, esquecemo-nos de que todos nós, de uma forma ou de outra, somos também doentes, pois a doença faz parte da natureza de todo ser vivo. Ninguém dela escapa, um dia ou outro; um sofre com pressão alta, outro com a baixa, fulano tem sinusite, sicrano diabetes e por aí vai.

E vejam que estou falando apenas das doenças mais comuns. Há aquelas gravíssimas, dolorosas, terríveis, insuportáveis, difíceis até de serem citadas.

Pela tradição comum, mencionei apenas doenças físicas. Mas é possível separar as doenças físicas daquelas chamadas doenças mentais? Acredito que não, principalmente hoje, quando a medicina está desenvolvendo uma visão holística em relação  à saúde do ser humano. O que é o estresse?  É um mal mental ou físico ? Como separar nosso cérebro físico do mental?

Levemos em conta uma simples dor de barriga. Seria ela conseqüência de uma surpresa desagradável, que nos deixou nervoso ou foi uma comida mal digerida?

Todos nós temos problemas físicos e mentais, que variam apenas em grau de intensidade. Não há como desligar uma coisa da outra!

Assim, uma boa alimentação, exercícios, vida saudável, dormir as horas necessárias para refazer nossos esforços diários são receitas importantes, que trarão, para a saúde física e mental, uma grande ajuda.

Temos que entender que somos um todo inseparável.

Neste mundo, há problemas, adversidades, dificuldades, competição, desemprego, poluição, alimentos processados, insegurança, violência, enfim uma messe enorme de condições, que torna evidente que iremos ficar doentes mais cedo do que esperamos. Todas as sensações, máxime as agressivas, passam pelos sentidos humanos e irão estimular nosso cérebro. E a resposta pode ser rápida.

Provada, por exemplo, a ligação entre o consumo de drogas e doenças mentais. Elas – as drogas – arrasam o cérebro, aniquilam com os neurônios, impedem as sinapses, interrompem os estímulos, desagregam os pensamentos.

E  afinal, o que é normalidade? Existe alguém normal?

Para início de conversa, normalidade é um conceito humano. Muitas vezes, uma pessoa corajosa e que enfrenta o perigo é julgada por muitos como louca, doida varrida.

Por quê?

Porque a maioria das pessoas não reagiria como ela.

Mas quem seria normal?

Aquele que não reagiu e se acovardou diante do perigo ou aquele que simplesmente o enfrentou?

Assim, não acredito em doença que não sejam físico-mental, ligadas intensamente, dentro da concepção holística, a visão da saúde integral, por inteiro, na sua totalidade, o que realmente somos.

Somos um todo: corpo, alma, coração, emoções, sentimentos, mente, não havendo como os separar.

Já dizia o poeta romano Juvenal, embora sem o significado que se dá hoje em dia, lá na antiguidade, a célebre expressão: mens sana in corpore sano, ou seja, mente sã em corpo são.

Portanto, temos que ter equilíbrio em todas as nossas atividades e buscar bons hábitos, pois os seus efeitos nos alcançarão como um todo.

O preconceito não é “privilégio“, um tratamento dado aos doentes mentais, pois já houve muito dele dirigido aos tuberculosos, máxime porque não tínhamos como os tratar e essa doença era transmitida com muita freqüência. O mesmo aconteceu com leprosos desde a antiguidade – que eram abandonados, longe da população.

Essa concepção é importante para que possamos entender que as doenças mentais como as físicas são males que devem ser tratados com o mesmo olhar, sem preconceito, este que é, quase sempre, a expressão do medo e da ignorância.

É imperativo, afirme-se, concluindo, que tenhamos respeito pelo nosso semelhante, tratando-o como nosso igual, vítima de moléstia, seja ela considerada física ou mental, pois é indispensável conservarmos sua dignidade, para que não o venhamos ferir na sua auto-estima e agredir o seu direito de cidadão.

A final, todo doente é um ser humano, que deve ser amado, alguém que tem uma família, uma alma, um coração.

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O engano – Gutierritos-SP

Por Gutierritos-SP, 27 de fevereiro de 2010 0:10

Livre, finalmente, livre…
Lembro-me:
Há vinte anos,
Ela me enganou
E eu também me enganei.
Foi outra a que matei.

Simples engano
E fui preso,
Por vinte anos!
Vinte anos,
Vinte anos de solidão,
Vinte anos!

Vinte anos sem ver sol!
Vinte anos de amargura e sofrimento.
E ela vive com outro
E eu preso,
Eu, meu ódio e minha solidão.
Presos.

Agora livre…
Finalmente livre.
Ah! Como gostaria de matá-la.
Queremos nossa vingança,
Eu, meu ódio e minha solidão.

E a queremos pelos vinte anos.
Vinte anos de minha vida roubados,
Toda minha mocidade.
Vinte anos…

Ei, olha!
É ela!
E vem ao meu encontro.
Ah! Canalha…
E ainda sorri !

Vinte anos,
Vinte anos e nunca me visitou
E ainda sorri…

Mas como está moça!
Deve ter tido uma boa vida
Nestes vinte anos e com o outro.

Safada! Eu a mato!
Estrangulo, mato,
Mato, mato, mato…

Estás morta, agora, desgraçada!
Estamos vingados,
Eu, meu ódio e minha solidão.
E por vinte anos!
Ha!ha!ha!ha!ha!ha…

Mas…não…
Não!
Não pode ser!
Não! Não! Não..
Meu Deus…
Por favor, não…

Outro engano…
Outro engano…
É minha filha!
É minha filha…

Poesia feita aos vinte e um anos.

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Comentário de Gutierritos-SP

Por Gutierritos-SP, 26 de fevereiro de 2010 23:10

LuDias,

Primeiramente, quero parabenizá-la pela matéria maravilhosamente feita, que trata da questão dos direitos humanos em Uganda, coisa profundamente lamentável e que todas as vozes devem se levantar, realmente.

Estarei, ainda, assinando a petição e manifesto aqui o meu repúdio a esta crueldade e agressão aos direitos humanos.

Deixo claro que todos as agressões aos direitos humanos devem ser combatidas.

Aqui, no Brasil, por exemplo, muitos governadores passam de anjinhos de pau oco, pois ignoram o estado lastimável de nossas prisões.

Mesmo considerando serem os ocupantes das celas criminosos e deliquentes, tem todos, há uma agressão desumana aos direitos humanos: celas pequenas, com populações carcerárias em piores condições de que chiqueiros de porcos, um por cima do outro, não tem como deitarem, não tem como fazerem suas necessidades, tratados como animais. Se alguém faz, por exemplo, um ” pum” outros cobrem-lhe de tapas e todos os seus reclamos não são ouvidos ao longo da noite, onde há inclusive ataques de tarados sexuais.

Há uma experiência, Lu, com ratos, onde os cientistas colocaram, presos, de um lado, ratos com bastante espaço e de outro, ratos com sem praticamente espaço, para se mexerem. O lado que estava repleto de ratos, explodiu em violência e o outro lado continuaram vivendo pacificamente.

No lado que que não havia espaço, a violência acabou por levar os ratos a se matarem, uma a outro, até que tiveram o mesmo espaço do outro lado, que vivia em paz.

E o que aconteceu: pensas que dali para frente a violência parou ?

Nada disto: a violência continuou até que restou um único rato, que conseguiu sobreviver a matança infernal.

Sei que em Uganda a ignorância, o poder, o fanatismo religioso, o ódio pelo ocidente, pelo imperialismo que o dizimaram por tantos anos estão levando a projetos inacreditáveis, como a pena de morte aos gays, aqui, infelizmente, já temos também nossa pena de morte, que está, para quem quiser ver, em nossas penitenciárias.

Há no mundo todo, esta que é a verdade, a agressão aos direitos humanos, que não pode ser ignorado, mesmo para aquelas nações que hoje se dizem respeitadores destes direitos e que, inclusive, reclamam de Cuba.

Uma boa resposta está aí no artigo, que colhi, agora há pouco, na Internet, feita pelo professor Gilson Caroni Filho, publicado em Carta Maior, a qual transcrevo:

Permanece atual o relatório da Anistia Internacional, de 2005: “Quando o país mais poderoso do mundo se burla do Estado de direito e dos direitos humanos, está dando permissão para que outros países cometam abusos com impunidade e audácia”.

por Gilson Caroni Filho, em Carta Maior

A morte do preso político cubano Orlando Zapata, que permaneceu em greve de fome durante 85 dias, deflagrou uma série de protestos de governos e organizações de defesa dos direitos humanos na Europa e nos Estados Unidos. Hillary Clinton, falando ao Senado, declarou estar “profundamente consternada por seu martírio em defesa de seus direitos e para alertar sobre a situação e a opressão dos presos políticos em Cuba”. Faltou algo no lamento da secretária de Estado norte-americana. E essa incompletude advém da impossibilidade de analisar fenômenos políticos sem a aplicação concreta da relação dialética entre o universal e o concreto.

Se por direitos humanos entendemos princípios inalienáveis que objetivam resguardar os valores fundamentais da pessoa humana, ou seja, direitos que procuram assegurar a solidariedade, a igualdade, a fraternidade, a liberdade e a dignidade do individuo, como efetivá-los em uma ordem internacional hegemonizada pelo capital que o define como absoluto abstrato? E que, ao fazê-lo, nega a esse mesmo indivíduo a sua realidade concreta, a possibilidade de pensar seus problemas, angústias e desventuras como algo exterior aos ditames da lei do valor. A questão que se coloca é quanto à compatibilidade entre capitalismo e direitos humanos. Talvez esteja nesse ponto a precisão das palavras do presidente cubano, Raul Castro, que atribuiu a morte de Zapata “ao confronto que temos com os Estados Unidos”

Como destacou o jornalista Sérgio Augusto, em memorável artigo para “Encontros com a Civilização Brasileira” (agosto, 1978) “ficou difícil acreditar na bondade dos americanos depois das 159 intervenções armadas levadas a cabo pelos EUA, antes de 1945, e no pós-guerra, na Coréia, na República Dominicana, no Vietnã-sem contar os golpes que incentivaram no Líbano, na Guatemala, no Irã, na Turquia, na Grécia, na Argentina, em Myanmar, na Indonésia, em Gana, no Chile, no Brasil,etc. Sempre, é claro, com os mais elevados propósitos, como não se cansa de difundir a inseparável máquina de propaganda do “Mundo Livre”, na qual sobressaem a grande imprensa, dita liberal e isenta e as agências transnacionais de notícias com a assessoria ocasional da CIA”.

Passados 32 anos da publicação, não é difícil atualizar os números do texto, dada a manutenção dos métodos. A prática tradicional da política externa norte-americana continua ignorando violações de direitos em ditaduras consideradas vitais para seus interesses estratégicos.

Se a oposição à tortura, à pena de morte e à prisão por questões de consciência constitui um programa capaz de unificar atores de orientações políticas distintas e diferentes procedências geográficas, não se pode ignorar que todos os países contêm, dentro dos seus sistemas sociais, contradições que, ao criar tensões, se traduzem em transgressões aos direitos humanos. Os Estados Unidos, recordistas na aplicação da pena de morte, mantêm presos, desde 1998, cinco cubanos, radicados em território norte-americanos, sob acusação de espionagem.

Antonio Guerrero, Fernando González, Geraldo Hernández, Rafael Labañino e René González estão detidos sem que nenhum tipo de crime tenham cometido. Permanecem aprisionados por monitorar atos de grupos terroristas instalados em Miami. Por eles, Hillary Clinton não fica “profundamente consternada”. Muito menos pelos 188 homens ainda detidos em Guantánamo sem acusação, julgamento ou qualquer tipo de amparo judicial.

Permanece atual o relatório da Anistia Internacional, de 2005. Sob o pretexto de combater o terror, o governo estadunidense se dedicou a fundo para restringir as regras da Convenção de Genebra, terceirizando a tortura. Na introdução, o documento é categórico: ”Quando o país mais poderoso do mundo se burla do Estado de direito e dos direitos humanos, está dando permissão para que outros países cometam abusos com impunidade e audácia”. Melhor, impossível.

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil.

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