Meu olho
Eu deixo ao cego de paixão.
A minha mão
Fica pra levar a esperança.
Meu coração
Ofereço à humanidade.
Que seja dividido com toda a criatura.
A minha voz, como semente,
Que lancem aos ventos
Para ser ouvida eternamente
Por homens cansados e sofridos.
E meus ouvidos
Deixo aos surdos absurdos
Aos surdos-mudos.
Deixo a eterna fonte
Que jorra de minha alma
A quem tem sede de viver.
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19 de novembro de 2008 at 23:01
Sonia,
Amei esse poema…
Beijo!
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20 de novembro de 2008 at 0:05
Soninha
Compartilhar-se assim é coisa de mestre de outra dimensão.
Que texto lindo.
Amei
Haydée
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20 de novembro de 2008 at 10:36
Sonia,
Que beleza! Seus herdeiros serão muito felizes, querida. Poesia pura. Beijo. Ana
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20 de novembro de 2008 at 16:02
Querida Ana
Não tenho herdeiros. Deus não quis, mas todos os meus amigos serão meus herdeiros pois sei que deixarei um pouco de mim em cada um. Pelo menos estou tentando.
Obrigada por suas palavras sempre tão carinhosas.
Beijos Sonia Quartin
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20 de novembro de 2008 at 16:18
Queridas amigas e amigos
Essa poesia Testamento, como que expressa um desejo íntimo que espero em breve realizar: deixar por escrito que sou possível doadora de todos os meus órgãos. Não sabemos do dia de amanhã, não é? Aliais, nem do dia de hoje! Depois que eu partir, gostaria de deixar um pouco de mim em quem está esperando apenas uma chance para viver um pouco mais.
Beijos Sonia Quartin
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20 de novembro de 2008 at 20:01
Sonia,
Doar nossos órgãos. Agora a tarde fui a um retorno médico e conversamos sobre morte e tal. Eu fiz um procedimento cirurgico simples semana passada. E mesmo assim, como estar num hospital, qq que seja o motivo, nos aproxima tanto da morte e nos deixa tão sensíveis a ela.
Eu dizendo que ficaria muito triste em morrer agora e com muitas saudades de todos e principalmente de meu filho.
Ele dizendo que queria doar todos os órgãos e ser cremado. Aliás, há alguns meses ele fez uma cirurgia e se sentiu muito mais humano, passando pelos estágios todos que ele estava tão acostumado a praticar.
E então ele me disse: Pensei muito na possibilidade de morrer. Fiquei com medo. Então escrevi isso (e saiu a procura na pasta dele): era um pequeno texto dizendo de sua vontade de se cremar e se doar e que o dinheiro para isso ja estava reservado com a mulher, que no final ele dizendo que amou muito a mulher e as duas filhas e que elas foram as coisas mais importantes pra ele.
No final do texto eu percebi que lágrimas rolavam em meu rosto. Este médico me acompanha há mais de 20 anos e é uma alma boa a fazer o bem. E tão ou mais humano do que eu já sabia!
Por isso o teu texto eu reli e apreciei ainda mais.
Beijo!
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23 de novembro de 2008 at 16:08
SÕNIA
É maravilhoso encontrar um ser humano que pensa como você.
Sei que ser doador é praticar uma extraordinária ação.
Mas entendo, como Hegel, que eu sou o outro.
E você nos faz bem.
Incorpora-nos, não só seus órgãos, mas sua alma, seu espirito, tudo que vai aí dentro de seu coração e que de forma tão linda soube expressar:.
“Deixo a eterna fonte
Que jorra de minha alma
A quem tem sede de viver.”
Belo, muito belo.
Parabéns.
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25 de novembro de 2008 at 0:16
Seu texto não é um testamento. O testamento só vale depois da morte e você nos doa inteira em vida. Aceito o legado com muita honra e tomara que, ainda durante muito tempo, possamos ler seus presentes. E que belos presentes são os seus textos. Muito obrigada, de coração.
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