Valeu a pena? – Paulo Afonso

Por Timoneiro, 19 de outubro de 2008 1:11

Crônica da madrugada

Sempre que se faz alguma coisa costuma-se avaliar se aquele ato deve ser realizado. O que ganharemos com isso?

Este rapaz de Santo André teve muito tempo para refletir e mudar de idéia. Preferiu atirar na namorada e passar algumas dezenas de anos na cadeia. Trocou seus 22 anos e as muitas namoradas que poderia ter em liberdade, por uma culpa que carregará pelo resto da vida, preso. Mesmo que não chegue a pagar pelo seu crime através da justiça dos homens, não escapará da “Lei da Compensação”, onde tudo que fazemos ou deixamos de fazer será devidamente julgado e compensado.

Mas isso é assunto que as religiões tratarão no devido tempo, cada uma à sua maneira. O fato é que uma jovem de 15 anos perdeu a vida absolutamente por nada. E quem a matou também o fez por nada.

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8 comentários para “Valeu a pena? – Paulo Afonso”

  1. Terezinha disse:

    É mesmo, Paulo.
    Valeu a pena?
    Nada vale a pena
    se a alma é pequena.

    TT

  2. Mário Mendonça disse:

    Caro Paulo

    Nietzche, explica este caso.
    O ser humano é seu próprio deus.
    E ai, o que vier não importa.

    Na realidade, ele queria morrer.
    Se viver, viverá como zumbi.

    Abraço.

  3. Mário Mendonça disse:

    Caro Paulo

    “Quero Eloá, amo a Eloá”, diz Lindemberg na prisão.

    Por acaso, Tu assistisse Otelo ?

    Que tragédia.

    Abraços.

  4. Paulo Afonso disse:

    @Mário Mendonça: Ele vai querer se passar por desequilibrado para escapar da prisão. Mas se pensarmos que todos os assassinos são desequilibrados, para que prisão?

  5. Mário Mendonça disse:

    Caro Paulo

    Tenho minhas duvidas se o caso deste rapaz é para prisão ?
    E foi por ele não ter antecedentes, que a inabilidade da policia, se propagou.

    Se tivesse qualquer antecedente negativo, um atirador de elite, talvez o tivesse eliminado.

    Abraço.

  6. Lu Dias Bh disse:

    Paulo

    A verdade é que se tratava de um psicótico.
    Dá medo saber que muitos estão soltos na rua.
    Amos morreram para a vida.
    Que pena!

  7. Haydée Colussi disse:

    Paulo Afonso,
    Acho que tu estás certo quanto a este triste caso no que escreveste. Realmente ficou patente a incompetência de todos.
    Da Polícia, deste assassino louco e sabe-se lá de quem mais.
    Tirar a vida de alguém é um horror e não acredito que possa valer a pena. Acredito sim no que afirmas.
    Pela lei compensação, pela justiça dos homens pela própria culpa se ele a tive, esse rapaz será julgado e terá que pagar para sempre. É realmente uma pena todo esse desamor.
    Haydée

  8. Terezinha disse:

    Paulo,

    adoro essa prosa de Haydèe, diversa do português-mineiro.

    Escrevi um conto, com o título Desamor. É um caso acontecido. Tão real como o de Eloá e de desfecho trágico para a mulher que não mais queria ser propriedade privada de marido possessivo. Seguem os dois últimos parágrafos:

    Desamor

    [...]
    Logo que chegaram ao restaurante, o marido chamou o garçom, solicitando a mesa que havia reservado. A mulher atraía a atenção de todos pela figura esguia, belo rosto e elegante vestido arroxeado que realçava-lhe a cor dos olhos. Mais atenção ainda despertou quando, logo que a mulher se sentou, por trás, como que ajeitando-lhe a cadeira, o marido sacou de um revólver e acertou-a com dois tiros, dando depois outros dois no próprio ouvido.
    O homem morreu na hora. E isso ocorreu há anos. A mulher ainda vive, paralítica, em cima de uma cama. Consegue mexer com a cabeça para um lado e para o outro. Conversa e acompanha o movimento do quarto com seus olhos cor de violeta. Um final nada feliz para uma história iniciada com era uma vez

    

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