Minha relíquia distante - Greice Costa Meu anjo e meus cachos - Lu Dias



nov 25

O escritor Beaumarchais dizia que “o homem difere do animal por comer sem ter fome, beber sem ter sede e fazer amor em todas as estações.”

E se ainda há alguém que diz que a prostituição é tão velha quanto a humanidade, errou redondamente. Como se com toda a fartura existente, os nossos irmãos primitivos disso precisassem.

A prostituição só aparece no bojo da civilização, com a chegada da propriedade e com o desaparecimento da liberdade pré-marital (eram felizes e não sabiam).

O maior medo da moça primitiva nada tinha a ver com castidade, mas sim em ser estéril, não parir, não reproduzir rebentos para o macho. E ser virgem era sinônimo de impopularidade.

Se a coitada era rejeitada por todos, por que seria esse ou aquele varão a aceitá-la? Ele deveria pensar que “neste pote há marimbondos”.

Ficar prenhe antes do casamento era o atestado de fertilidade da fêmea. Chovia machos na sua horta. Ali estava uma “teúda e manteúda”. Terra boa e fértil.

Em muitas tribos a virgindade era uma barreira ao casamento, porque o “pobre” noivo tinha a indesejável tarefa de violar o tabu, que consistia em não derramar o sangue da tribo. No que tinha toda a razão, penso eu.

Normalmente as noivas eram oferecidas a estrangeiros (grandes sofredores).
Outras tribos já tinham um funcionário, pago, para cumprir tão desventurosa missão.
E como devia sofrer, tal indivíduo, naquela época, com tantos casamentos. Haja vigor físico e desejo incubado. Devia ser um robô pré-histórico.

Como o capitalismo muda tudo; a virgindade de um “defeito” passou a ser uma “virtude”, fazendo parte dos códigos morais. De pecado venial a pecado mortal.

Mais uma vez o macho demonstrava o seu poder sobre a fêmea e sua prole feminina, tipo: “Olhe aqui, quem é que manda!”

E a noiva virgem subiu na cotação da bolsa marital, com um atestado de seu passado (modo possível de vencer a crise).

Tudo isso, para que filhos, oriundos de outros órgãos ovóides da bolsa escrotal, não viessem a fazer parte da herança do mesquinho amo.

Mas, os códigos morais não atingiam os poderosos machos, que viviam como os políticos de hoje. A eles tudo, ao povo, nada!

Muitas fêmeas eram mortas pela família, pelo simples fato de ter a menstruação em atraso, sem falar na bizarra arte de infibulação. Enquanto outras eram confinadas, no período em que os hormônios eclodem, por cinco anos, em cabanas, vigiadas por escravos.

Tudo isso por AMOR à fêmea? Nadica de nada! Tudo era pelo amor ao poder patrimonial.

O homem primitivo tinha o senso de posse, mas nada de ciúme sexual. A fêmea podia coabitar com outros homens, desde que fosse com a sua permissão.

Anatole France dizia que “a moralidade é a soma dos preconceitos de um grupo”.

E, quando se une a isso poder e patrimônio, o diabo lambe os beiços.

Dizem que o PUDOR era a retirada estratégica que permitia à moçoila, até então, escolher o seu companheiro. E ao mesmo tempo ele tinha que mostrar as suas belas qualidades para conquistá-la.

E foi aí que o AMOR nasceu, ou seja, na idealização do outro, no faz-de-conta.

E assim permanece, em muitos casos, até hoje, enganando a gregos e troianos desavisados.

Alguns até matam por excesso de amor, neste nosso mundo contemporâneo tão cheio de tecnologia.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Fonte de pesquisa: Will Durant, meus amigos gregos e troianos.

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Publicado por Lu Dias Bh \\ tags:

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6 comentários para “Virgindade, de defeito a virtude - Lu Dias”

  1. Carlos Manoel Marques disse: Reply to this comment

    …Alguns até matam por excesso de amor…

    Lu Dias, Como depois desta frase vem uma sonora gargalhada, não vou nem comentar tamanha, digamos, INVERDADE. Mas é um excesso sim. Um excesso de um coleção de outros termos: egoísmo, vaidade, idiotice extremada, etc…

    Abraço carinhoso,

    [Resposta]

  2. Ana Lucia Timotheo da Costa disse: Reply to this comment

    Lu,
    Este seu texto me lembrou a história do português que logo depois de casar devolve a mulher. E diz para a mãe:
    - Ora pois, mãe. . . Depois da festa de casamento, eu levei Maria para o hotel e fui para a cama com ela. Nós fizemos amor, mas eu descobri que ela era virgem! Ora pois, uma virgem! Então eu decidi ir embora e nunca mais olhar na cara daquela mulher, mamãe!
    - Fizeste muito bem, meu filho! O que não serve para os outros,
    também não serve para ti!
    É como você diz - como os valores mudam…Beijão. Ana

    [Resposta]

  3. Massayuki disse: Reply to this comment

    Lú, gostei como seria hoje se tudo continuasse como dantes? Abraços

    [Resposta]

  4. lu dias Bh disse: Reply to this comment

    @Carlos Manoel Marques:

    Carlos

    Gostaria de saber qual foi o primeiro idiota que matou por amor.
    Esta frase vem da mais insana loucura.
    E aquela de lavar a honra?
    E nem pode ser com sabão em pó, mas com sangue.
    Há cada coisa neste mundo de meu Deus, de nos matar de rir, se não fosse trágico.

    Se eu fosse o juiz, colocaria o meliente preso, encarregado de lavar toda a roupa da penitenciária, ad eternum.

    Ainda bem que o matar por amor, ou lavar a honra vêm caindo do galho.
    A gente até pode matar de amor.
    Mas, não por amor.
    Não é mesmo?
    Beijos,

    lu

    [Resposta]

  5. lu dias Bh disse: Reply to this comment

    @Massayuki:

    Massa

    É impossível imaginar como seria viver hoje dentro daqueles princípios.
    Acho que machos e fêmeas já tinham exterminado uns aos outros… risos.

    Há fatos do nosso passado que a nossa mente não consegue perceber.
    Parece conto da carochinha.

    Mas ainda há muita loucura por este mundão.

    Que bom que você tenha reaparecido.
    Estava com saudades.
    Beijos,

    lu

    [Resposta]

  6. lu dias Bh disse: Reply to this comment

    @Ana Lucia Timotheo da Costa:

    Aninha

    Este seu causo veio a calhar para ilustrar o meu texto.
    A mãe portuguesa estava coberta de razão.
    Tinha que proteger o filho contra aquela rapariga que nenhum outro moço quis.
    Dedução lógica, perfeita.

    Aninha, a história do mundo é um vai-e-vem sem fim.
    Diz um amigo meu que a história da humanidade é cíclica e não retilínea.
    E, pelo que tenho lido, acho que é verdade.
    Não vai demorar muito e estaremos de volta às cavernas.
    Só espero que desta vez seja a fêmea a arrastar o macho pelos cabelos.

    Grande beijo, minha amiguinha,

    lu

    [Resposta]

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