Visão sobre os indianos (XII) – Lu Dias

Por LuDiasBH, 4 de setembro de 2009 6:00

Depois de viver seis semanas como um dalit, a visão do escritor francês, Marc Boulet, sobre o povo indiano, não é das melhores.

Para ele, os indianos acham-se especiais em tudo, superiores aos estrangeiros. Embora não possuam a xenofobia vista em outros povos, mas uma grande indiferença.

Os indianos consideram-se mais civilizados do que qualquer outro povo e acham a cultura indiana a melhor do mundo, de modo que, qualquer outra, está abaixo dela. Sentem pelo estrangeiro um grande desprezo. Veem-no como um bárbaro, um intocável.

Todo aquele, que não pratica o hinduísmo, aos olhos dos hindus, não é civilizado e seus costumes ficam abaixo dos costumes dos dalits.

Os estrangeiros são repugnantes, porque comem o cadáver de um animal sagrado, a vaca.

Destacam o fato de os ocidentais, ao defecarem, limparem-se com papel, em vez de se lavarem. Por isso continuam sempre sujos.

Criticam também o fato de os estrangeiros assuarem o nariz em um pano, que guardam no bolso, para uma nova utilização.

Pois, os indianos não usam lenço.

Apertam as narinas, uma de cada vez e expulsam o muco do nariz . Fazem isso em qualquer lugar público, até mesmo no meio da rua, quando se sentem à vontade, sem se preocuparem com os micróbios lançados na atmosfera.

O mesmo eles fazem com os excrementos.

Consideram que conservar matérias impuras no interior do corpo não é auspicioso. E, diante de tal justificativa, abaixam a calça na rua. Não há preocupação com a limpeza coletiva, apenas com a individual.

Sentem um grande desprezo pelas castas pobres.

E sempre dizem pertencer a uma casta superior à que pertencem.

O indiano é metido a sabichão.

Não possui respeito pelo estrangeiro, mas sim pelo que pode extrair dele. Chama-os de “macacos vermelhos”. Também evita o contato com esses, para que não possa se sujar.

Na Índia come-se sem talhar, com os dedos da mão direita.

A mão esquerda é usada para lavar o ânus. Não se concebe a idéia de o estrangeiro usar as duas mãos para o mesmo fim.

O estrangeiro é muito visado em todo o país.

Não pode passear sem ser parado, a todo o momento, por mendigos, traficantes, fedelho com endereços de encontros amorosos, vendedores ambulantes, homens “santos”, barqueiros, barbeiros, astrólogos, sacerdotes que benzem… Há sempre alguém importunando, querendo vender alguma coisa, ou oferecer algum tipo de serviço.

Dizem que os hábitos alimentares e higiênicos dos estrangeiros causam repugnância. E que eles tornam impuro tudo que tocam. Por isso, recusam-se a usar um utensílio usado por um estranho.

Apesar da falsa impressão que um estrangeiro possa ter sobre o recato dos indianos, esses adoram falar sobre sexo e dizer palavrões. Coçam os testículos publicamente e os ajeitam o tempo todo, como um desejo de mostrar virilidade. E se julgam os tais na arte do amor. No entanto, a sexualidade dos indianos carrega problemas, como os encontrados em qualquer outra civilização: impotência, brutalidade nas relações, ausência de intimidade, casamentos de conveniência, etc.

Marc Boulet acha que Gandhi tenha pregado a não violência como sistema de vida e luta, talvez porque achasse os indianos muito violentos. E esses, além de não aceitarem tal ideal, também não aceitaram banir a intocabilidade.

Gandhi não tem mais nada a ver com a Índia de hoje.

São tantas as castas e tantas as origens que, imagina Marc Boulet, é difícil para um indiano se definir em termos de cidadania, de nacionalidade. Pertencem a uma região, ou a uma religião, ou a uma casta. É normal que um indiano não se sinta como um membro da União Indiana.

O indiano não pronuncia três expressões: Desculpe!/ Obrigado!/ Por favor!

Não é um povo cortês, é descortês mesmo. Ele não se melindra com nada e não o sabe o porquê de pedir desculpas. Nunca acha que esteja incomodando. E, mesmo que estivesse, isso não tem a menor importância.

O próprio hinduísmo insiste nos deveres do indivíduo em relação a si mesmo. O que torna as pessoas egoístas.

Nota: quero esclarecer que esta não é a minha visão e tampouco do blog, sobre os indianos.

Os pareceres aqui expostos foram tirados do livro Na Pele de um Dalit/ Marc Boulet.

Namastê!

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17 comentários para “Visão sobre os indianos (XII) – Lu Dias”

  1. Cristine disse:

    Olá amiga!

    Realmente a impressão que Marc Boulet teve dos indianos, depois de conviver por algumas semanas como um deles (ou melhor, como um ninguém entre eles) é a pior possível.

    A Sandra Bose também nos mostra abertamente os defeitos e qualidades dos indianos; são depoimentos confiáveis, pois de pessoas que estão lá e conhecem a cultura e o comportamento daquele povo.

    O pouco contato que tenho com indianos é com uma agência de tradução para a qual trabalho. São pessoas simpáticas e educadas, às vezes um pouco desorganizados, mas bons colegas de trabalho. Contudo, sei que são a minoria e que estão acostumados ao contato com ocidentais, e que precisam adaptar-se aos costumes “globalizados” para poderem trabalhar.

    Viver lá, entre eles, tendo de se adaptar à cultura e comportamento deles, deve ser bem diferente…

    Grande abraço!

    lu dias Bh respondeu:

    @Cristine,

    Cris

    Confesso que fiquei surpresa com essa visão tão forte do Marc Boulet.
    E, por coincidência, é a mesma visão que vejo no blog Indiagestão da Sandra Bose.

    Enquanto Marc Bolet escreveu isso em 1993, a nossa amiga Sandra Bose escreve nos dias de hoje.

    Pelo visto pouca coisa mudou, pois os relatos são bem semelhantes.

    Todo país que tem uma religião muito enraizada na vida, que determina os passos de seu povo, não obtém mudança, caso não ataque as tradições arcaicas do credo.

    Não há outra forma de mudar a mentalidade das pessoas, de modernizar.

    Imagine se o cristianismo ainda hoje, vivesse nas suas famosas e sangrenas Cruzadas?

    Estaríamos ainda usando armaduras de aço.

    É uma pena que o budismo, tão coerente e equilibrado, seja minoria.

    Obrigada pelo carinho do comentário.

    Beijos,

    lu

  2. Rosalí disse:

    Lu,

    (Através da visão do jornalista e escritor Marc Boulet).

    Conhecendo mais a fundo sobre esta cultura,
    os costumes e tradições que beiram ao absurdo,
    fico estarrecida de ver como a discriminação
    impera sem que se tome uma real e verdadeira
    providência em prol de mudanças.
    Os governos estão preocupados consigo próprios,
    aliás, esta é uma das características dos indianos,
    o individualismo, o egoísmo.

    Como o povo é alienado, aceitando por toda a vida,
    viver em estado de extrema miséria e humilhação
    (referindo-me aos dalits), crendo que não existe
    outra maneira senão aquela para se viver,
    sem forças para lutar por uma vida mais digna!

    Quanto às castas mais altas, a arrogância, a intolerância,
    o desprezo e o egoísmo cegam de uma forma impiedosa
    estes seres que se julgam superiores, privilegiados, para
    com os de sua terra e estrangeiros.

    Este é mais um exemplo de como a religião escraviza
    o ser humano!

    Bom seria se hoje as coisas estivessem diferentes, não é?
    Mas acho pouco provável! As chances de mudança neste
    estado coisas são remotas.

    Ótimo resumo, amiga!
    Interpretou com bastante fidelidade o pensamento
    do autor em pauta, e com aquele seu jeitinho
    especial de sempre.

    Beijos no coração!

    Rosalí.

    lu dias Bh respondeu:

    @Rosalí,

    Rose

    Muitas pessoas devem achar fantasiosos os meus textos sobre a Índia.
    Mas, basta que visite o Indiagestão para ver como a verdade ainda é mais cruel do que se pode imaginar.

    A Sandra coloca tudo tal e qual é.
    Não faz malabarismos para mudar a realidade.
    Leio muito o blog dela.
    E, não há um só dia, em que eu não me sinta incomodada.

    A religião, seja qual for ela, se não for bem conduzida, arrasa totalmente a vida da pessoa.
    Uns acabam enlouquecendo, literalmente.

    O mais triste é que a cegueira sempre atinge os mais dasafortunados.
    Como se fosse preciso mantê-los sob o jugo do medo.

    É exatamente isso que o hinduísmo vem fazendo com os dalits.

    A Sandra passou-me que eles são cerca de mais de 350 milhões de pessoas.
    Imagine o dia em que essa gente descobrir que possui poder para mudar o meio em que vive?

    Mas, isso não é bom para o governo indiano e tampouco para as castas ricass.

    Ulucapatá!

    Obrigada, pelo carinho do comentário.

    Beijos,

    lu

  3. Jovimari disse:

    Lu,

    Lendo este resumo me veio um pensamento: cada um, no seu meio, acha que está certo.

    Percebendo as críticas que fazem aos costumes dos estrangeiros, vejo que eles também tem as suas razões para seus costumes.

    Excluindo os exageros, como ter a certeza de que os corretos somos nós?

    Beijo!

    lu dias Bh respondeu:

    @Jovimari,

    Jovi

    Apenas o bom senso pode nos fazer perceber onde está o agir correto e o agir errado.
    Traduzindo, devemos buscar o caminho do meio de que tanto falou Buda.
    Pois é no Caminho do Meio que está o equilíbrio.

    Ou, como se diz em português, “nem tanto ao céu, nem tanto ao mar”.

    Houve um tempo em que eu achava, que bastava ser um costume estrangeiro para ser respeitado.
    Depois vi, que o preconceito contra os negros, os judeus, os homo… nasceram assim.

    Hoje, penso que devemos atacar tudo que depõe contra a dignidade humanha.
    Seja aqui ou seja acolá.
    Ainda mais agora que o mundo é globalizado.

    Você anda sumida.
    Os voos pelo céu anda prendendo-a muito.

    Já estava com saudades.

    Beijos,

    lu

    Jovimari respondeu:

    @lu dias Bh,

    Sim, sim… concordo…

    E eu ando enroscada em algumas teias… mas não estou sumida, sempre passo aqui, leio, penso mas não comento… ;)

    Beijo!

    Jovimari respondeu:

    @Jovimari,

    Quero dizer que nem sempre comento!!! :)

    Beijo!

    lu dias Bh respondeu:

    @Jovimari,

    Lindinha

    Eu sei quais são essas teias, que dão até pelo céu.
    Are Baba!

    lu

  4. GUTIERRITOS disse:

    MAMADI

    Penso que há muita gente que pensa como um hindu.

    Sei lá é que encontro cada pessoa que se apresenta com estas características, ou seja, o mundo foi feito exclusivamente para ele. Para ele usar e abusar. Todos os demais semelhantes são dalits, ou melhor, pior um pouco, estrangeiros.

    Acho que é essa a síntese, pelo ensimento de hoje, que o MB, depois de sua aventura inacreditável, ficou pensando daquele povo.

    Agora, entrando com um pouco de brincadeira, tu dissestes:

    “Na Índia come-se sem talher, com os dedos da mão direita.

    A mão esquerda é usada para lavar o ânus. Não se concebe a idéia de o estrangeiro usar as duas mãos para o mesmo fim. ”

    Fiquei a imaginar a situação dos canhoteiros..

    Parabéns pela riqueza de teu texto.

    lu dias Bh respondeu:

    @GUTIERRITOS,
    Gutie

    HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAH

    Eu não havia pensando nisso.
    Os sinistros por lá, devem ser todos dalits.

    Mas, numa passagem do livro do MB, ele diz que pegou muito hindu fazendo as coisas com as duas mãos.

    Esse purismo é mais para inglês ver.
    E para se mostrar superior às outras raças.

    Ulucapatá.

    Beijo no coração!

    lu

    Jovimari respondeu:

    @lu dias Bh,

    O Felipe é canhoto… ainda bem que foi pro Zimbábwe… já pensou se tivesse escolhido a Índia?

    Beijo!

    lu dias Bh respondeu:

    @Jovimari,

    Pois é Jovi…

    Não havia pensado nessa possibilidade.

    Ainda bem que o Fê escolheu outro porto.

    Ia ser muito difícil… risos.

    Beijos,

    lu

  5. Maria Tereza disse:

    India- Antes e depois de Marc Boulet

    Fiquei pensando numa expressão italiana que define as pessoas más ,
    destrutivas até com seus próprios irmãos:RAÇA CAÌNA.
    São invejosas e não suportam os seus semelhantes.
    Caim não matou Abel?
    A India de Gandhi era vista como um país onde a não- violência vencera
    a maldade e o poder.A sabedoria da resistência passiva e pacífica era
    exaltada.
    Mas o repórter mostrou a triste realidade de boa parte da população.
    È a “raça caína.

    Abraços

    Maria Tereza

    lu dias Bh respondeu:

    @Maria Tereza,

    MaTê

    Raça Caína…
    Muito interessante.
    Caína de Caim.

    Dentre todas as pessoas, acho as invejosas altamente nocivas.
    Principalmente aquelas que sobem em um tijolo e já se julgam especiais.
    Ou depreciam o trabalho próspero do outro.
    Dessas, eu corro léguas.
    Consigo descobri-las com muita facilidade.

    Como estávamos enganados a respeito da Índia.
    Para mim, foi como se eu tivesse tirado um véu.
    Já conhecia o problema dos dalits, antes da novela.
    Mas não pensei que tivesse tamanha magnitude.
    Isso devo a Glória Perez.

    MaTê

    É sempre um prazer recebê-la nos meus textos.

    Beijo no coração,

    lu

  6. messias disse:

    Lu,

    A manutenção de costumes tão arcaicos diante de tantas obveidades do mundo atual coloca os costumes deste povo com algo acima de discussões.
    Parece exisitir uma “herança genética” de todos esses costumes…não há outro jeito, tamaho é o disparate!

    Messias

    lu dias Bh respondeu:

    @messias,

    Messias

    A impressão que fica é de essa gente continua na Idade Medieval.
    É um contraste muito grande, o modo como vivem e a tecnologia que grande parte dos indianos abraça hoje.

    Em algum ponto da história desse povo haverá uma cisão.

    As posturas são muito conflitantes.

    Não aceitáveis no século XXI, por mais que preguemos o respeito à diversidade.

    Abraço,

    lu



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